EDITORIAL » Alerta nas rodovias

Publicação: 23/12/2016 03:00

As condições precárias da malha rodoviária brasileira devem provocar, este ano, prejuízo de R$ 2,34 bilhões às transportadoras, somente com o gasto desnecessário de óleo diesel, combustível usado pela frota de caminhões responsável pelo principal meio de transporte do país. A falta de investimentos públicos, principalmente após a atual crise econômica, interrompeu o processo de melhoria e manutenção das estradas do Brasil, que já era considerado de baixa qualidade, causando sérios prejuízos à economia e colocando em risco a vida de motoristas profissionais e amadores que se aventuram pelas rodovias esburacadas, com sinalização precária e com trechos completamente abandonados.

A cada dia, a situação das rodovias geridas pelo poder público piora, realidade que pode ser constatada pela última Pesquisa CNT de Rodovias, levantamento anual das estradas feito pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT). Os números impressionam pelo impacto no dia a dia dos usuários da malha rodoviária. De acordo com o estudo, dos 103.259 quilômetros de estradas analisados, mais da metade (60,2 mil quilômetros, ou seja, 58,3% do total) apresentou algum tipo de problema cuja classificação considera as condições do pavimento, sinalização e geometria.

Ano passado, o percentual foi de 57,3%, cifra menor, mas também assustadora.

Pela pesquisa da CNT, de 2015 para 20176, houve aumento de 26,6% no número de pontos críticos (trechos com buracos grandes, quedas de barreiras, pontes caídas e erosões), passando de 327 para 414. Somente os problemas de pavimento elevaram em 24,9% o custo operacional do transporte, com significativo impacto na composição do preço final dos produtos. O estudo da CNT abrange toda a malha federal e as principais rodovias estaduais pavimentadas.

A precariedade das estradas no país deve-se ao histórico de baixo investimento no setor, sendo que, no ano passado, a alocação de recursos federais na infraestrutura de transporte, em todos os modais, foi de apenas 0,19% do Produto Interno Bruto (PIB). O valor investido em rodovias, de R$ 5,95 bilhões, no mesmo período, foi quase a metade do que o país gastou com acidentes somente na malha federal.

Diante da incapacidade de o poder público em gerir com competência o transporte rodoviário, está mais do que na hora de se retomar os projetos de concessão das rodovias brasileiras. Isso porque está claro que existe uma gritante diferença entre as estradas operadas pela iniciativa privada e pelos governos federal e estaduais. Basta conferir os números: nas rodovias nas mãos de empresas privadas 78,7% são consideradas boas ou ótimas, enquanto que as operadas pelo poder público atingem o índice de 32,9%. Como os investimentos públicos são insuficientes, o programa de concessões deve ser reativado com urgência.

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