EDITORIAL » Por mais ensino integral

Publicação: 22/12/2016 03:00

Uma das melhores notícias do ano diz respeito à educação. Em especial, ao fomento ao ensino integral para estudantes da rede pública no Brasil. Quem a anunciou foi o Ministério da Educação, tendo-a ratificado esta semana. Trata-se da promessa de investimento do governo federal na ordem de R$ 1,5 bilhão. O recurso será usado dentro de dois anos com o objetivo de oferecer aulas em jornada ampliada de sete horas por dia para 500 mil novos e jovens alunos. Para o ano de 2016, que quase bate à porta, existem 263 mil vagas para o integral disponíveis.

O processo de cadastramento e avaliação das escolas está em curso, mas até o dia 9 deste mês o Programa de Implementação de Escolas em Tempo Integral para o Ensino Médio – como é denominada a ação voltada para a esta questão – contava com 213 escolas aprovadas e outras 290 aprovadas com ressalvas. Somadas, são 503 unidades distribuídas pelo país. Outras 83 escolas tiveram pedidos de inclusão negados por, segundo o MEC, não se adequarem aos requisitos estabelecidos.

Sempre se quer mais. A maior parte das famílias sonha em oferecer este tipo de oportunidade para o filho. É algo que se assemelha ao que há de mais atrativo e caro na rede privada de ensino. Pensa-se: São 503. Bastam para o volume de estudantes? Não. De todo modo, este é um caminho aberto e que pode seguir em uma crescente, se for atingida a ousada meta do Plano Nacional de Educação aprovado em 2014.

Hoje, somente 6,4% das matrículas destinam-se ao ensino integral. O plano prevê que 25% dos matriculados passem a estudar em dois períodos. A jornada ampliada é uma tendência à inclusão e não só a inclusão educacional. Em tempo integral o aluno, sobretudo aquele mais humilde e com um aparato menor em torno dele, tende a ficar menos vulnerável a muitas mazelas do seu meio. Soma-se a isso o aprendizado continuado ofertado a ele.

Só com o tempo será possível contabilizar os resultados da matemática do investimento mas a fórmula tem tudo para ser bem-sucedida e repercutir sobre indicadores sociais daqui a uma, duas décadas. É imperativo lembrar que, em se tratando de Nordeste, a ampliação da jornada de estudo pode ter um peso positivo maior porque aqui estão algumas das piores taxas de desenvolvimento humano e social do Brasil.

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