EDITORIAL » A redução do tabagismo passivo

Publicação: 19/12/2016 03:00

Era início da década de 1990 e o antigo prédio azul da Praça da Independência, no bairro de Santo Antônio, no Recife, ainda abrigava a redação do Diario de Pernambuco. Naquela época, era comum jornalistas baterem seus textos em máquinas de escrever barulhentas acompanhados de um cigarro acesso entre os dedos. Era um período onde o tabagismo ainda era permitido em locais fechados. E os incomodados com a fumaça alheia pareciam não ter voz.

Há cinco anos, a Lei Antifumo proibiu o ato de fumar em locais totalmente fechados. Segundo a pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), desde a implantação da legislação, o número de fumantes passivos no trabalho caiu 34,4% entre os adultos nas capitais brasileiras se comparados os levantamentos feitos em 2011 e em 2015. O estudo foi realizado com mais de 54 mil pessoas, maiores de 18 anos, nas 27 capitais do país no ano passado.

Em 2011, 12,2% de pessoas estavam expostas à fumaça de cigarros e outros produtos derivados do tabaco no trabalho. Segundo a Vigitel 2015, o número caiu para 8%. A proporção de homens expostos ao tabagismo passivo é de 12%, enquanto entre as mulheres é de 4,6%. A frequência do fumo passivo no trabalho foi maior entre os brasileiros com idades entre 25 e 64 anos.

O tabagismo passivo foi a terceira maior causa de morte evitável no mundo, perdendo apenas para o tabagismo ativo e para o consumo excessivo de álcool em 2013, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Além dos efeitos a curto prazo da poluição ambiental pela fumaça, como irritação nasal, nos olhos, dor de cabeça, irritação na garganta, vertigem, náusea, tosse e problemas respiratórios, a exposição ainda causa risco de câncer de pulmão e infarto.

Outra boa notícia. A Vigitel 2015 também apontou redução no número de fumantes passivos em casa. Uma queda de 22,8% entre a população adulta das capitais brasileiras. Pelo menos nesse quesito, um vento mais saudável parece soprar a favor dos brasileiros.

Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.