Acelerar a retomada

Alexandre Rands Barros *
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Publicação: 17/12/2016 03:00

Há uma discussão entre os economistas brasileiros hoje se a retomada do crescimento deveria ser acelerada por uma política fiscal mais austera ou uma política monetária mais expansionista. Os que acreditam na política fiscal defendem aumento de impostos e/ou cortes mais radicais nos gastos. Esses economistas acham que as incertezas elevadas consistem na maior causa da recessão. As perspectivas de aumentos de impostos futuros sem que haja previsão atual do seu nível e o descontrole dos gastos públicos com emissão monetária desenfreada seriam as causas dessas incertezas e estariam na origem da recessão atual. Eles não creem que política monetária resolva o problema no nosso momento, dados seus limites para estimular a economia em momento de demanda fraca.

Alternativamente, outros creem que redução mais acelerada das taxas de juros, junto com a sinalização de equilíbrio fiscal de longo prazo, seria um estímulo mais plausível, dado o nível de recessão atual da economia. As perspectivas de equilíbrio fiscal de longo prazo reduziriam as incertezas e a queda das taxas de juros elevaria a demanda agregada, seja via investimentos ou consumo. Esses acreditam que a recessão já está tão forte que o estímulo da demanda por política monetária teria impacto irrelevante na inflação. Também acham que mais cortes fiscais ou aumentos de impostos seriam um caminho muito oneroso socialmente e que teriam pouco ou nenhum efeito para impulsionar a economia em momento de recessão como o que vivemos, pois seu impacto na credibilidade já seria pequeno.

Uma primeira conclusão consensual dessa discussão é que precisamos de um equilíbrio fiscal de longo prazo para sairmos da crise. Ele é necessário para reduzir as incertezas quanto ao futuro. A PEC dos gastos e a reforma da previdência devem satisfazer essa necessidade. Entretanto, elas não resolverão o desequilíbrio de curto prazo, como demandam alguns. A política monetária, por sua vez, pode ter pouco efeito se fundada apenas em taxa de juros. Mas ela não precisa se tornar mais recessiva, como vem ocorrendo após reduções das expectativas de inflação que não são acompanhadas pela redução da taxa de juros nominal na mesma proporção. A taxa de juros real esperada subiu 6,54% a.a. no primeiro mês de 2016 (média mensal de taxas diárias), para 8,60% em novembro. Adicionalmente, mais do que das elevadas taxas de juros, a economia sofre de falta de liquidez, principalmente porque o setor público (todas as esferas) não está pagando suas contas. Com isso, as empresas precisam se endividar mais para suportar esses atrasos de recebimentos. Com ausência desses pagamentos em seus balanços, elas têm enfrentado dificuldade de se endividar. Isso tem reduzido ainda mais os investimentos e mesmo os gastos. A política monetária, reduzindo compulsório e/ou penalizando reservas excedentes dos bancos pode reduzir esse problema e com isso elevar a demanda agregada e acelerar a retomada. Essa política poderia aumentar os riscos dos bancos. Por isso, demanda que o Banco Central seja verdadeiramente independente desses bancos. Que não seja capturado pelos seus interesses.

* Economista, PhD pela Universidade de Illinois, presidente da Datamétrica e do Diario de Pernambuco

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