EDITORIAL » De carona no carro elétrico

Publicação: 17/12/2016 03:00

A revolução é silenciosa. Na Noruega, cem mil veículos da frota do país  já são elétricos, graças a medidas públicas de incentivo à compra de carros desse tipo (como isenções de impostos e pedágios ou estacionamento gratuito). Além de um transporte mais sustentável - evita-se a emissão de cerca de 200.000 toneladas de dióxido de carbono (CO2) por ano - representa uma economia estratégia no consumo de combustível fóssil. Em 2015, a Noruega já possuía a quarta maior frota de carros elétricos do mundo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, China e Japão. A meta é quadruplicar o número até 2020.

A corrida apenas começou. Em novembro, a Casa Branca anunciou planos para criar uma rede de 40.000 km de recarga de automóveis elétricos, com a qual espera estimular os motoristas a trocarem seus veículos a gasolina. O Departamento do Transporte designará 48 rotas oficiais para veículos elétricos em autopistas que cobrem 35 dos 50 estados, com o objetivo de ampliá-las à medida que cresça a demanda. Os fabricantes de automóveis elétricos Nissan, BMW, General Motors e uma série de companhias de energia participam da iniciativa.

Os 28 países da União Europeia esperam que, em 2050, a eletricidade esteja livre de carbono, investindo em pesquisa e a inovação nos setores da construção, indústria, transportes ou digital, sem contar o automobilístico.

Uma aceleração já percebida pelo movimento financeiro mundial. Segundo pesquisa da consultora Arabella Advisors para a associação DivestInvest, 688 instituições e 58.399 pessoas em 76 países se comprometeram a abandonar seus investimentos em energias fósseis (petróleo, gás, carvão).

Com a extração do pré-sal em uma espécie de banho-maria, o Brasil deve correr contra o tempo para não perder o bonde da história. Em 2015, o investimento em energias limpas bateu a marca de US$ 329 bilhões. A lógica do mercado é uma só: siga o dinheiro.

Como sempre tem alguém na contramão, o futuro presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nomeou na quarta-feira o ex-governador do Texas, Rick Perry como seu secretário de Energia. Aos 66 anos, o ex-comandante do rico estado petroleiro será o encarregado de um vasto ministério que inclui a consolidação das energias fósseis, a melhoria da segurança nuclear e implementação de inovações no campo da energia. Intimamente ligado à indústria do petróleo, pode colocar um freio nos projetos de Obama. Mas ultrapassado será.

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