Elmo Cândido Carneiro: um homem que não morreu...

Cristiano Pilako *
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Publicação: 16/12/2016 09:00

Existem pessoas que até morrem, como todas as outras. Existem pessoas que continuarão sendo lembradas, mesmo depois de cumprir sua missão no mundo dos vivos. O filósofo contemporâneo, Mário Sergio Cortella, em um dos seus livros, questiona: Qual é a Tua Obra? Adaptando a pergunta para o antonense Elmo Cândido Carneiro, perguntaríamos:  Quais foram as tuas obras?

Após o sepultamento do corpo de Seu Elmo da Pitú, ocorrido na tarde do último domingo, dia 11 de dezembro, no Cemitério São Sebastião, na Vitória de Santo Antão, seu nome certamente será grafado nas mais variadas situações: rua, praça, escola, clube de serviço, prédio de instituição financeira, empreendimento comercial e etc. Tudo isso será importante e compreensivo.

Se Seu Elmo fosse um atleta olímpico, certamente ganharia medalha de ouro no Pentatlo Moderno. Nessa modalidade esportiva não basta se destacar apenas em uma atividade, o atleta tem que ser bom em tudo, numa mesma jornada, ou seja: hipismo, esgrima, natação, tiro esportivo e corrida.

Na qualidade de chefe de família Seu Elmo vivenciou com sua esposa, Dona Vitorinha, o melhor sentido da palavra cumplicidade. Aos filhos não foi apenas um bom provedor, virou herói e exemplo de ética. Aos netos e bisnetos uma fonte de sabedoria e carinho.

No mundo dos negócios – Elmo da Pitú – triunfou. Construiu pontes nos cinco continentes falando o idioma universal do empreendedorismo,  para fazer com que o cidadão planetário provasse, gostasse e comprasse sua mercadoria Made In Vitória. Dizia seu Elmo: “as duas melhores cidades do mundo: Paris e Vitória de Santo Antão”.

Em nossa Terra Mãe Elmo Carneiro interagiu em todas as direções do tecido social, foi uma espécie de “elo 360º”: do carnaval ao religioso, do clube de serviço ao futebol, da filantropia ao empresarial, da educação ao setor público, enfim, podemos dizer que o nosso conterrâneo, que acaba de fazer a viagem sem volta,  foi, indiscutivelmente “de um tudo” na nossa polis.

Com apenas vinte e quatro anos, Seu Elmo foi um dos fundadores do Instituto Histórico e Geográfico da Vitória. Se hoje falar ao telefone já é algo ultrapassado, em função da internet, foi com a sua articulação e empenho que nossa cidade saiu do isolamento,  na década de 1960 com a implantação do sistema de telefonia fixa. Seu Elmo foi um homem plural, na medida em que os interesses coletivos sempre estiveram acima dos individuais.

Desde criança fui impulsionado a admira-lo. Meu pai, Zito Mariano, o admirava, respeitava-o e reconhecia nele um dos homens com maior visão na Terra de Diogo de Braga. Hoje, na qualidade de vitoriense adulto e conhecedor da história da cidade, ratifico, na  figura do empresário Elmo Cândido Carneiro, uma das mais profícuas que por aqui nasceu e viveu.

Portanto, a obra ou as obras plantadas por Seu Elmo – ao longo das nove décadas da sua proeminente existência – nas mais variadas esferas de sua  atuação com raio de alcance muito além dos nossos olhos não cessarão com sua partida da nossa bolha comum – que  chamamos de convivência – pois as mesmas não foram codificadas com a marca do individualismo e do egoísmo e sim na plenitude do coletivo e sempre no contexto do bem comum. Em nome de todos antonenses, Obrigado Seu Elmo Cândido Carneiro!!

* Blogueiro, escritor, sócio do Instituto Histórico e Geográfico da Vitória e membro da Academia Vitoriense de Letras, Artes e Ciência

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