Meritória comenda Dom Helder Camara ao padre Airton Freire

Marly Mota *
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Publicação: 16/12/2016 09:00

Com aprovação e reconhecimento do Senado Federal aos Direitos Humanos, com o aval do senador pernambucano Humberto Costa, acrescentando um fio de dignidade às sessões do Senado, anuncia que o Parlamento desde 2010 destina a pessoa de relevância humanitária, a Comenda Dom Helder Camara. O arcebispo dom Helder, tão lembrado na história da Igreja Católica Apostólica Romana no Brasil e no mundo, teve o seu nome várias vezes indicado para o prêmio Nobel da Paz. Neste final de 2016, a condecoração foi outorgada ao seu grande amigo padre Airton Freire de Lima, à sua humildade de ser pobre entre os pobres, fundador da benemérita e disciplinar Fundação Terra onde, com a minha família, várias vezes atravessamos os caminhos que cortam as regiões da Mata e Agreste, até a porta do Sertão, em Arcoverde.

No Sítio da Malhada, ergue-se a humanitária Fundação Terra. Anexada ao conjunto está a Casa Mãe, morada do padre Airton Freire de Lima, sertanejo de São José do Egito, na sua profunda modéstia, se diz “servo menor.” Ali, o portão nunca se fecha e o silêncio é fundamental. Na hospitaleira Casa de Retiro, que nos acolheu anos atrás, foi a nossa morada por três dias. A comida nordestina, tão peculiar para quem guarda esses sabores, é servida com abundância no amplo refeitório.

O sino chama! Não há retardatários, todos tomam acento nos bancos da Capela da Sagrada Família. O tema do retiro ganha amplitude nas sábias palavras do teólogo, poeta e filósofo Airton Freire que põe em discussão: A Sabedoria, como reflexo de Deus que penetra na condição humana, eleva, constrói e irradia. Não esqueçam o poder da palavra: Se viver é mais que envelhecer, viver é também aprender e amadurecer. Sugere: Sejamos como as Oliveiras ou o Sândalo que perfuma o machado que o fere.  

Aplausos de um modo especial ao padre Airton, que vem abrindo caminhos para as gerações futuras daquela região. Ao redor da Fundação Terra pastam ovelhas, cabras, emas, avestruzes, entre mandacarus – símbolo da região – umbuzeiro, ingazeiros, ipês que transcendem com suas copas cobertas de flores, onde o padre Airton Freire de Lima, também se planta como um baobá ou um carvalho irremovível do chão de Arcoverde.

Nós, família de Mauro Mota, reunimos aplausos à merecida Comenda Dom Helder Camara. Dom Helder, amigo de Mauro Mota, logo que soubera do seu falecimento viera prestimoso ao velório realizar a encomendação do corpo, no nobre salão do antigo Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais, atual Fundação Joaquim Nabuco, onde, por 14 anos, esteve sob a direção de Mauro Mota. À cabeceira do caixão rezou o Salmo 129, De Profundis, que emocionou a todos nós.
 
* Membro da Academia Pernambucana de Letras

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