EDITORIAL » A ameaça do desmatamento

Publicação: 16/12/2016 09:00

Uma grande ameaça paira sobre o histórico Acordo de Paris, recentemente ratificado pelo Brasil e outras 194 nações, com o objetivo de reduzir as emissões de gases do efeito estufa (GEE) em nível global. Recrudesceu o desmatamento na região amazônica, no período de agosto de 2015 a igual mês deste ano, de 2016, atingindo 7,9 mil quilômetros quadrados, índice 29% maior do que o do período anterior, que também já tinha registrado aumento de 24%, segundo detectou o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Essa é a primeira vez que o desmatamento na maior floresta tropical do mundo tem crescimento consecutivo nos últimos dois anos, o que preocupa sobremaneira especialistas do setor.

A constatação tem alarmado os ambientalistas, já que a estimativa é de que a recente destruição das matas na Amazônia tenha liberado, na atmosfera, a estratosférica cifra de 586 milhões de toneladas de carbono, o equivalente à emissão de gás carbônico por todos os veículos do país durante oito anos. Além de deixar claro que as iniciativas exitosas para a redução do desmatamento, de 2005 a 2012, sofreram sério retrocesso.

O que chama a atenção é que o Brasil se comprometeu a diminuir a emissão dos gases que agravam o efeito estufa em 37% até 2025, e a zerar o desmatamento considerado ilegal até 2030, o que traria significativa colaboração para o controle da liberação do carbono no planeta. Mas a falta de um rígido controle pelos governantes com a devastação da floresta amazônica é claro sinal de que está havendo processo de enfraquecimento das políticas públicas de proteção ambiental, na contramão da tendência mundial.

Os ambientalistas acreditam que um dos motivos para explicar o aumento da destruição da cobertura vegetal na Amazônia é, justamente, a sinalização de que o governo será tolerante com a ação dos desmatadores. Para as organizações envolvidas no combate à destruição das florestas, a indiferença das autoridades para os crimes contra o patrimônio natural cria o ambiente propício para a atuação dos que lucram com a derrubada das matas – com destaque para madeireiras e projetos agropecuários –, principalmente na Amazônia Legal, que abrange Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia e parte de Mato Grosso, Tocantins e Maranhão.

Apesar das taxas alarmantes divulgadas pelo Inpe, ainda há tempo para reverter a situação, com os governantes assumindo perante a nação o compromisso definitivo com o desmatamento zero. O país precisa, urgentemente, rever as metas de desmatamento com a adoção de medidas estruturantes, como o fortalecimento da fiscalização, criação de áreas de proteção e reavaliação da importância do Programa de Prevenção e Controle do Desmatamento da Amazônia.

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