Caminhos para combater o racismo no Brasil

Diogo Ferreira * e Rafael Vilaça *
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Publicação: 14/12/2016 03:00

O tema da redação da segunda aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) foi “Caminhos para combater o racismo no Brasil”. A informação foi divulgada pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC) no dia 4 de dezembro, pouco tempo após o início da prova. Ao fazermos uma breve análise, o tema desta segunda redação está intimamente ligado ao tema anterior, “Caminhos para combater a Intolerância Religiosa no Brasil”.

O racismo no Brasil é praticado em conjunto com várias ações de raiva, revoltas e preconceitos, voltadas, especificamente para cor da pele, etnia, raça e credo. Não são raros os casos em que crianças, jovens e adultos sofrem qualquer tipo de preconceito por não se enquadrarem em uma grande maioria de pele clara, ou cabelo liso.

Mas o racismo praticado no Brasil não está exclusivamente atrelado ao racismo religioso ou étnico. Não tão raro nos depararmos com situações de racismo que atacam o modo de se vestir, o corte de cabelo, ou a cor da pele das vítimas. Diante disso, é louvável que o Ministério da Educação e Cultura se preocupe com um tema tão grave em nosso país, propondo a reflexão para os estudantes que pretendem ingressar no Ensino Superior.

O racismo na escola começa com os gracejos, com as brincadeiras, e logo parte para a violência verbal, e, nos casos mais graves, a violência física. Outro fator que alimenta o problema é a liberdade que as redes sociais proporcionam para a exposição de comentários abertamente racistas, sem que haja a expectativa de uma punição legal eficaz. Isso sem falar no racismo que é alimentado dentro das próprias famílias. A frequência de tais situações é tanta, que não existe alguém que não conheça um amigo ou parente que já tenha sofrido preconceito pela sua identidade negra ou branca.

Sem dúvida, a saída para combater este grave problema social está na educação. E esta educação contra o racismo deve começar desde a escola, para assim, chegar às relações cotidianas e familiares.

* Jurista, Diretor Geral da Universidade Salgado de Oliveira – Campus – Recife

* Jurista e Mestrando em Ciências da Religião pela Unicap

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