Cérebro e coração

Ary Avellar Diniz *
aryavellardiniz@yahoo.com.br

Publicação: 10/12/2016 03:00

Geralmente, suscitam-se dúvidas nas pessoas a respeito de qual a maneira mais sensata de se comunicar com o público, quando o assunto tratado não se enquadra na profissão acadêmica do expositor. Além do mais, os leitores são críticos por natureza.

A experiência de vida, entretanto, aliada a conhecimentos generalizados, ampara e orienta o autor em algum momento de discordância ou discussão.

Está lançado o tema “psicossomatização”.

O cérebro, órgão vital do corpo humano, vive cotidianamente envolvido - quer queira, quer não -, nas variadas situações ocorridas no mundo moderno, absorvendo instintivamente alguns problemas e somatizando-os de forma quase despercebida: corrupção, assaltos, sequestros, desemprego, assassinatos, desorganização do trânsito, excesso de impostos, desgoverno, poluição, terremotos, vendavais, erupções vulcânicas, enchentes, queimadas, ameaças de guerra mundial, drogas, zika, chikungunya, aumento de temperatura do globo terrestre, imigrantes famintos, greves, quebra-quebra, vaias, manifestações, acidentes rodoviários, demagogias, salários curtos, bolsa de valores, além dos problemas familiares, dos negócios (o mundo dos negócios é um mundo cão), inveja, burrice generalizada… Quer mais? Pressão alta, dor de dente, intervenção cirúrgica, dor, celular (“o número que você ligou está errado”), filhos no computador todo o tempo…

Ufa! É muito estresse!

Para se proteger dessas mazelas, é necessário saber trabalhar o seu cérebro e solfejar sempre “Deixa a vida me levar” ou procurar seguir os exemplos dos imortais da Academia Brasileira de Letras, cujo caçula beira os 80 anos. Segredo: a condição precípua de seleção para ingressar nessa Instituição, a que deve constar no curriculum vitæ são os livros publicados! Ler e escrever consideram-se sadios treinamentos para ativar os neurônios cerebrais. Há outras atividades profissionais facilitadoras do longevo: o pintor de belos quadros artísticos; o arquiteto de projetos criativos, inovadores e de agradável visual; o religioso convicto de sua fé em Deus; demais profissionais sérios e honestos na lida diária. Todas essas pessoas procuram abstrair-se das impurezas que impregnam a humanidade, enfatizando sempre a tranquilidade emocional e a paz de espírito, a exemplo de Oscar Niemeyer (104 anos), Pablo Picasso (91 anos), Gilberto Freyre (87 anos), Gabriel García Márquez (87 anos), Carlos Heitor Cony (que, em 14 de março do corrente, completou 90 anos), Thiago de Mello (que também comemorou 90 anos em 15 de março transato), Ricardo Brennand (engenheiro, empresário, colecionador e diletante das artes, que beira os 90 anos), Santa Teresa de Calcutá (87 anos, paradigma de bondade incomensurável) e muitos outros.

O coração, por sua vez, responsável pelo bombeamento do sangue para o cérebro, é também um órgão decisivo e destinado a facultar melhores dias de vida.

Após o treinamento físico diário, o homem, a mulher se sentem mais dispostos para o trabalho cotidiano, com mais energia no corpo e igualmente ávidos de mais anos de vida, como João Havelange, que foi um atleta saudável, falecido aos 100 anos de idade.

E tem mais: se ele, o coração, parar de bater, lascou-se!…

O ideal é a atuação comportamental do binômio cérebro-coração, ambos em equilíbrio, o equilíbrio físico-mental. Assim procedendo, vislumbrará o ser humano muitos e muitos anos de vida, podendo cantar para si a universal composição: “Parabéns pra você nessa data querida”…

Só os tolos não imitam os sabidos.

* Diretor do Colégio Boa Viagem e da FPS

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