EDITORIAL » As dificuldades na educação

Publicação: 09/12/2016 03:00

Tragédia. Com essa palavra o ministro da Educação, Mendonça Filho, traduziu o sentimento de todos os brasileiros preocupados com o nível do ensino no país, em todas as etapas, depois da divulgação do resultado da pesquisa do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), tendo à frente a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). O Brasil caiu quatro posições no ranking global, ficando como um dos oito países com pior educação, entre os 70 avaliados, em relação à matemática, à leitura e às ciências.

O pior desempenho do Brasil se deu justamente em matemática, área do conhecimento estratégica para qualquer nação que almeja patamares mais elevados de desenvolvimento econômico, social e tecnológico. Ficou na 65ª posição, à frente apenas de Macedônia, Tunísia, Kosovo, Argélia e República Dominicana. O levantamento mostra que 70% dos alunos brasileiros com 15 anos não dominam o básico da matemática, fator de séria preocupação.

O melhor desempenho do Brasil foi em leitura, ficando no 59º lugar, e em ciências o ensino brasileiro alcançou a 63ª posição. Entre as unidades da federação, o Espírito Santo apresentou a melhor performance, e Alagoas, a pior, nas três áreas. Na média nacional, Minas Gerais ocupa a terceira posição em matemática e leitura e a quarta em ciências.

Diversos fatores são apontados para desempenho tão decepcionante, como os investimentos equivocados. Os setores responsáveis pela educação no país têm a obrigação de investir os recursos disponíveis de uma maneira mais inteligente, evitando o desperdício. O ministro Mendonça lembra que, em pouco mais de 12 anos, o orçamento da educação foi triplicado, passando de R$ 43 bilhões para R$ 130 bilhões. “Isso não se traduziu em qualidade por causa de uma série de políticas ineficazes”, destaca.

Especialistas apontam, como outro ponto vulnerável do sistema educacional, o maciço investimento no ensino superior, em detrimento dos ensinos básico e médio e, como modelo de política ineficaz na educação, o programa Ciência sem Fronteiras, vitrine do último governo. Ao tachá-lo de eleitoreiro, o ministro lembra que estudantes foram enviados ao exterior sem conhecimento do idioma local, ao custo de mais de R$ 100 mil.

Outra deficiência inquestionável é a falta de prioridade na formação e valorização dos professores, para que eles estejam aptos para o desafio da transferência de conhecimento, com resultados práticos. Se os números da pesquisa da OCDE confirmam o fracasso da educação e das políticas voltadas para a qualidade do ensino, o país tem de usar de todos os meios disponíveis para reverter essa situação, o que educadores acreditam ainda ser possível.

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