Casa Branca x Kremlin - Amizade reatada?

Dóris Maria Lima dos Santos *
dorismalima@outlook.com

Publicação: 07/12/2016 03:00

Acaba de ser eleito o 45º presidente dos Estados Unidos, o magnata Donald Trump. As bolsas de valores  do mundo inteiro despencaram assustadoramente. A terra tremeu como se um meteoro de proporções gigantescas a tivesse atingido. A maioria das pessoas contrárias a esse acontecimento assistiam estarrecidas  às notícias divulgadas nos quatro cantos do mundo. Aqueles que nele votaram, comemoravam como se estivessem testemunhando a visão das sete maravilhas do mundo. Pobres mortais! Enquanto isso, na Rússia, o presidente Vladimir Putin vibrava de alegria, não era para menos, porque durante toda a campanha do eleito presidente, eles estavam constantemente a se comunicar e esse resultado fez os olhos do russo brilharem como uma estrela cadente.

Na manhã seguinte, o Sr. Donald Trump foi parabenizado com entusiasmo, claro, pelo Sr. Vladimir Putin. Na sua exposição, o líder russo declarou “que as relações entre o seu país e os Estados Unidos poderão sair da crise”. No telegrama enviado ao novo presidente, procurou frisar que estava certo de que as conversações entre Moscou e Washington estariam sempre calcadas no respeito mútuo, mantendo sempre a conveniência entre as duas nações, o que foi divulgado pelo Kremlin. Desde a Guerra Fria, (1945-1991), os dois países são os maiores oponentes políticos no âmbito internacional em uma hostilidade ideológica e de interesses.

No dia seguinte, ao tomar conhecimento do resultado da disputa entre os dois candidatos,  logo me vi fazendo um paralelo entre Trump e Hitler. As personalidades de ambos são marcadas pela empáfia, arrogância, sede de poder exacerbada e necessidade de consolidar em seus países uma população sem mácula.  Hitler, adepto de uma raça pura, ariana, daí a perseguição aos judeus e negros, o que levou ao holocausto. O Sr. Trump com a firme determinação de banir dos Estados Unidos os muçulmanos, pois, conforme suas declarações o elevado número de refugiados na sua ótica a obrigação de cuidar deles cabe aos países árabes ricos, e os mexicanos porque seriam estupradores, traficantes. Para evitar a entrada deles, seria construído um muro a fim de separar os dois países, mas a construção caberia às autoridades do México.

A Otan – aliança militar do Ocidente, não agrada ao Trump, denomina-a de arcaica e defasada, ao mesmo tempo afirma que, certas nações membros não são gratas e se aproveitam da amplitude dos Estados Unidos. O Sr. Anders Fogh Rasmussem, ex-chefe da Otan, afirmou que Trump na presidência deixaria “o mundo menos seguro”. A meu ver, Trump no poder é nitroglicerina pura, prestes a explodir o mundo. Analistas políticos europeus veem sua ligação com Putin com preocupação. Eis o que disse o diretor do serviço britânico de inteligência: “A Rússia ameaça a estabilidade mundial com uma postura desafiadora e agressiva”. O que podemos esperar da união de Donald Trump com Vladimir Putin? Nada de bom, disso podemos ter certeza. Alea Jacta est. E que Deus nos proteja!

* Advogada e escritora

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