EDITORIAL » Obesidade juvenil, o alerta

Publicação: 07/12/2016 03:00

O excesso de peso do adolescente brasileiro virou problema de saúde pública de hoje e de amanhã. Estudo realizado com alunos da rede pública e privada em municípios com mais de 100 mil habitantes escancara um dado assustador: o excesso de peso juvenil chega a 25,4%. Significa que um quarto da população de meninos e meninas com idade entre 12 e 17 anos têm peso acima do ideal para a altura correspondente ou estão com níveis de gordura além daquela que é considerada saudável. Se observada somente a obesidade, a taxa chega a 8,6%. A hipertensão atinge 9,6% dos jovens e os meninos são mais afetados pela doença que, como diz a terminologia, gera uma tensão sanguínea sobre os órgãos se tornando uma ameaça ao bom funcionamento do corpo humano.

A pesquisa teve um propósito de grande interesse público: buscava gerar embasamento para prevenir doenças cardiovasculares em estágios precoces. Um desafio que deve ser encarado de frente pelos governos, pelas escolas, pelas famílias. A conclusão obtida após entrevistas foi apresentada no 2º Simpósio Internacional em Epidemiologia Cardiovascular, na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), sob o título “Estudo de Risco Cardiovascular em Adolescente (Erica). Ele reforça o que se vê em grandes concentrações, em ambientes educacionais ou em shows de entretenimento.

O índice de 25,4% de adolescentes com excesso de peso traduz hábitos de consumo e de rotina das famílias atualmente. Hoje, sabe-se, consome-se mais alimentos calóricos e carboidratos, à proporção em que crianças e adolescentes se exercitam menos. Apesar de a pesquisa apresentar um raio X de grandes conglomerados populacionais, as mudanças de hábitos podem ser observadas também gradativamente nas pequenas cidades afastadas de capitais. Como disse uma das pesquisadoras do estudo, o “adolescente não é esse ser saudável em fase de conturbações emocionais”.

O adolescente agora tem outro perfil e precisa ser visto com atenção reforçada no campo da saúde universal. Até porque esse jovem logo se tornará um adulto e mais tarde será mais difícil controlar hábitos adquiridos, perder peso e reduzir taxas alteradas. Do ponto de vista de gestão de saúde, pior será lidar com o volume de pacientes vítimas de doenças cardiovasculares

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