Escolaridade às avessas

Carlos Costa *
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Publicação: 06/12/2016 03:00

Em todo manual de macroeconomia aprendemos que os trabalhadores, à medida em que acumulam mais anos de estudo, tornam-se mais produtivos, contribuindo para o crescimento da economia de seus países. Recente pesquisa conduzida pelo economista Ricardo Paes de Barros – economista-chefe do Instituto Ayrton Senna e professor titular do Insper: Ensino Superior em Negócios, Direito e Engenharia – constatou que o avanço da escolaridade no Brasil, nas últimas décadas, não foi traduzido no aumento esperado de eficiência do trabalhador brasileiro.

Entre 1980 e 2010, cada ano a mais de estudo no país foi seguido de um aumento extra de produção de apenas US$ 200 por trabalhador, número alarmante quando comparado ao Chile que teve uma expansão de US$ 3.000 de produção por trabalhador e de US$ 6.800 na Coreia do Sul.

A pesquisa aponta que a qualidade dos conteúdos ministrados nas escolas brasileiras  explica por que o país apresenta a escolaridade às avessas: devido ao baixo engajamento do jovem com a escola, gerando uma preocupante evasão escolar, como aponta o estudo.  A cada ano, mais de um quarto dos jovens brasileiros de 15 a 17 anos nem se matricula na escola (15%); outros 7% abandonam os estudos e 4% são reprovados por falta.

É inegável a melhoria na universalização do ensino no Brasil e os méritos de iniciativas importantes como o Prouni, Pronatec e o modelo de escolas integrais. No entanto, é chegada a hora da sociedade brasileira discutir, com entusiasmo, soluções práticas que visem a retenção do jovem brasileiro na escola, o que pode ser traduzido por um currículo flexível e estimulante.

Precisamos respeitar as lições de introdução à economia dos manuais, acreditando ser possível que, no Brasil, o avanço da escolaridade gere profissionais mais produtivos, contribuindo para o tão desejado crescimento econômico.

* Carlos Costa é economista e possui MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio  Vargas (FGV).

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