EDITORIAL » A tragédia que pode unir um continente

Publicação: 05/12/2016 03:00

No último sábado, a cidade catarinense de Chapecó viveu o dia mais triste de sua História, ao realizar o velório coletivo dos mortos na tragédia do avião da Lamia, que caiu perto de Medellín (Colômbia) com os jogadores da Associação Chapecoense de Futebol, na madrugada da terça-feira passada. Foi o assunto que mobilizou o país, semana passada, e não poderia ser diferente. Sobra dor, sim, mas também solidariedade, sentimento com poder de despertar a esperança mesmo em quem sofre na pele as consequências da tragédia. Neste caso, a mãe do goleiro Danilo, que foi à Arena Condá e emocionou a todos ao abraçar cada um dos jornalistas presentes, como sinal de respeito aos colegas da imprensa que estavam na aeronave. Dona Laine Padilha pediu que o país e o mundo ajudem o clube a formar outra equipe e que a torcida receba a nova Chape de braços abertos, dando todo o apoio aos atletas.

A onda de solidariedade deve se manter, sobretudo depois do espetáculo proporcionado pelos colombianos presentes no Estádio Atanasio Girardot, antes mesmo do horário da partida em que o Atlético Nacional de Medellín disputaria o jogo de ida da final da Copa Sul-Americana contra o Chapecoense, na noite de quarta-feira. Celulares acesos, torcida vestida de branco, gritando o nome do clube enlutado e pedindo para ele a concessão do título do torneio. Foi emocionante mesmo para quem não tem a menor familiaridade com o mundo da bola. E foi, também, um sinal de que a partir dali a América Latina pode pensar em se unir mais em torno das próprias causas. Não há dúvidas de que o gesto generoso dos colombianos contribuirá para uma aproximação maior entre os dois países e não há por que não sonhar com o continente se valendo do gesto para fazer da solidariedade uma marca no relacionamento entre todos.

Talvez seja esta a maior lição que se deva tirar da tragédia – uma América Latina consciente da grandeza humana dos seus povos na disposição para se socorrerem mutuamente, sempre que a fraternidade se fizer necessária no cotidiano e não apenas se a dor bater à porta. Quando de tanto sofrimento nasce uma perspectiva de maior apoio entre países-irmãos, é porque o legado da dor se sobrepõe à própria dor. E o legado, neste caso, é o sonho de um continente mais fortalecido pela solidariedade.

Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.