Para tudo há remédio

Publicação: 03/12/2016 03:00

Desde o período colonial, Pernambuco sempre esteve às voltas com a produção de medicamentos. Durante a ocupação holandesa (1630-1654), os naturalistas Guilherme Piso e George Marcgraf se interessaram em mapear os recursos naturais propícios para a fabricação de remédios, sendo considerados os iniciadores da literatura médica no país. É certo que, nesta época, curandeiros e invenções caseiras predominavam em relação ao que era fruto da ciência importado de Portugal e de outras nações europeias. No Império, o estado começou a se mobilizar para ter cursos de medicina, odontologia e de farmácia, mas quem praticava estas funções geralmente eram os estrangeiros, que anunciavam suas especializações nas páginas do Diario de Pernambuco. Profissionais como o francês J. B. Casanova, que em 29 de janeiro de 1849 divulgou no jornal a abertura do primeiro consultório gratuito para os pobres.

Iniciava-se uma guerra entre alopatas e homeopatas, com a prescrição de todos os tipos de tratamentos milagrosos, a ponto de o padre Lopes Gama, que escrevia no Diario assinando como o famoso Padre Carapuceiro, denunciar a “alquimia” praticada nos boticários recifenses: “Folhas secas, gravetos, maravalhas, besourinhos (cantáridas), raspas de pau, estrume, lixo, tudo se lhes converte em dinheiro”.

Em 1903 inaugurava-se a Escola de Farmácia de Pernambuco, praticamente duas décadas antes da consolidação da Faculdade de Medicina, que acabaria incorporando os estudantes de farmácia e de odontologia. Já no século 21, com um polo médico consolidado no Recife e com hospitais investindo fortemente em robótica, chegou a vez de Pernambuco voltar a ter investimentos privados na área de saúde, desta vez na produção de medicamentos. Com aporte de R$ 500 milhões, a Aché Laboratórios implantará uma fábrica e uma central de distribuição no Complexo de Suape. Os dois empreendimentos da empresa 100% brasileira, com 50 anos de atuação no mercado farmacêutico, vão gerar 500 empregos diretos e outros 2,5 mil indiretos. A nova planta - primeira em solo nordestino - será um importante reforço para o polo Farmacoquímico do Estado, que já conta com 11 empresas. A expectativa é de que a inauguração ocorra em 2018. Com mais alguns anos, Pernambuco poderá exportar remédios para o mundo. Uma boa notícia que estampa a superedição deste jornal, que comemora seus 191 anos (sua fundação foi em 7 de novembro de 1825) com um caderno especial para seus leitores.

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