Pensar, livre pensar...

Roberto Pereira
Ex-secretário de Educação e Cultura de Pernambuco
robertop@elogica.com.br

Publicação: 02/12/2016 03:00

Tomo o título em epígrafe emprestado de Millôr Fernandes, que, à sua maneira, enseja, a jusante do seu humor, reflexões instigantes.
Penso, logo existo, repito o filósofo René Descartes, nas suas reflexões e inquietações, consoante o seu Discurso do Método, renomado texto daquele que é reconhecido como o fundador da Filosofia moderna e do racionalismo, doutrina que confere à razão humana a competência exclusiva de conhecer e fixar a verdade.
Assisti ao meu pai, escritor Nilo Pereira, numa de suas aulas, na UFPE, responder à queima-roupa à seguinte pergunta de uma aluna:
 – Professor, quais as três maiores frases que o Senhor conhece:
Sem hesitar, respondeu Nilo:
– São estas: de José de Alencar, “Tudo passa sobre a Terra;” de Machado de Assis, “Alguma coisa escapa ao naufrágio das ilusões;” e de Alceu Amoroso Lima, “A vida é uma sucessão de adeuses.”
Estes três pensamentos parecem guardar uma similitude quando têm o lado efêmero da vida como denominador comum. “Não sobrará pedra sobre pedra,” conforme a palavra de Jesus nas suas evangelizações. O Cristo fala em guerras e destruição, os homens colocando os seus interesses acima da razão. Eis o desencontro e o desconforto da humanidade.
A ambição apequenando os viventes deste planeta, as arrogâncias e a sede de poder como se tudo não passasse de ilusões a se perderem na brevidade do tempo, deixando todos na inevitável passarela dos adeuses que se sucedem a cada instante.
A vida é feita desses adeuses, uns, morrendo precocemente, na despedida deste mundo. Outros, à Josué Montello, abrigando a velhice, num inquilinato à revelia do proprietário.
Adeus à infância, adeus à juventude, adeus à maturidade, os adeuses se aproximando do supremo “a Deus,” ponto de busca dos que aqui estão no in memoriam aos que se foram, alguns com os acenos de despedida dos que vão ficando à espera da “indesejada das gentes,” quando responderão aos mesmos acenos de outras pessoas nessa sucessão de adeuses.
Tudo passa sobre a Terra: a pedra, mesmo que preciosa, os pedregulhos, o vil metal, a vaidade, a soberba, encantos/desencantos, paixões, o ódio, a vida, porque ao pó todos retornarão. Para o além o bem semeado pelo amor ao próximo, pelas virtudes da caridade, do perdão, da humildade, porque viajarão nas asas dos espíritos fiéis aos desígnios de Deus..

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