Maior tragédia aérea envolvendo um time de futebol

Giovanni Mastroianni
Advogado, administrador e jornalista

Publicação: 30/11/2016 03:00

Nas rodas esportivas, é voz corrente um ditado popular que os torcedores de todos os clubes brasileiros expressam, sempre que só resta uma agremiação para torcer, quando seu time de coração fica fora de  uma competição: ser seu seguidor “desde pequenininho”. Seria essa a expressão que todo esportista brasileiro diria, nesta quarta-feira, quando a equipe da Chapecoense viesse a enfrentar o Atlético Nacional de Medelin, na Colômbia, pelas finais da Copa Sul-Americana. Mas o destino não quis e frustrou a todos, sem exceção, especialmente o autor desta simples homenagem.
O país e porque não dizer o mundo amanheceu abalado nessa terça-feira, 29, com a triste notícia de mais um acidente aéreo, ceifando a vida de quase uma equipe inteira de atletas do futebol nacional, que, fruto de uma campanha memorável, havia conquistado o direito de disputar um título inéditopara um modesto clube de futebol de Santa Catarina.
O fatal acidente que vitimou quase todo o elenco de futebol da Chapecoense lembrou-me vários outros desastres aéreos ocorridos com delegações do  esporte rei, no decorrer do  tempo: nos idos de 1949, a aeronave que transportava a delegação de futebol do Torino - o maior time da época na Itália – quando voltava de um jogo em Portugal, ceifou a vida de 42 pessoas, entre elas quase todo seu elenco. Em 1960, outro acidente envolveu o avião que regressava de Belgrado, transportando o Manchester United, em Munique, na Alemanha, quando perderam a vida 11 integrantes da delegação, salvando-se 7 de  seus integrantes, entre os quais Bobby Charlton, considerado, à época, uma lenda para seus fãs. Em 1960, a seleção olímpica de futebol da Dinamarca, após a decolagem da aeronave, no aeroporto de Copenhague,  sofreu uma pane e 8 de seus integrantes pereceram. Ano depois, um Douglas DC-3, da LAN, que levava a bordo a delegação do Green Cross, do Chile, chocou-se contra a Cordilheira dos Andes, no trajeto para a capital chilena, perdendo a vida 24 passageiros, dos quais 8 eram atletas profissionais daquela agremiação e 2 de sua equipe técnica. Curiosamente, somente 53 anos depois é que foi descoberto o local eem que ocorreu o acidente. Também, o The Strongest, da Bolívia, perdeu 16 de seus atletas, em desastre que vitimou 74 pessoas, quando sua delegação de futebol regressava de Santa Cruz de La Sierra para a capital boliviana. 14 jogadores e 3 membros da comissão técnica do Pakhtakor Tashkent, do Uzbequistão, também foram vítimas fatais, em consequência de um choque de aeroplanos comerciais, quando estes sobrevoavam a Ucrânia.
Não poderia deixar de destacar que Cleber Santana, um pernambucano, de Abreu e Lima, que se projetara no Sport Club do Recife, no início de sua carreira, foi mais uma das vítimas da tragédia que enlutou os catarinenses e comoveu todo o país. Cleber Santana, como Carlos Alberto Torres, que foi por mim lembrado há cerca de um mês, também era o capitão da equipe da Chapecoense.
Num gesto muito simpático por parte do clube que seria adversário da “Chape”, seus dirigentes solicitaram à Conmebol que outorgasse o título da Copa Sul-Americana de 2016 à Associação Chapecoense de Futebol, numa homenagem póstuma às suas vítimas de tão doloroso desastre..

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