EDITORIAL » O luto e a sensatez

Publicação: 30/11/2016 03:00

Para a história do futebol brasileiro e das tragédias aéreas, o dia de ontem ficará marcado pela queda do avião que levava o time do Chapecoense e que matou pelo menos 75 pessoas. Foram-se vidas e sonhos, formados em torno de um time de Santa Catarina que há sete anos era desconhecido e passou a ter a simpatia do país.
O Brasil estava de luto pelos jovens jogadores. Eram muitos: todos os 19 jogadores mortos da delegação que disputaria a final da Copa Sul-Americana hoje contra o Atlético Nacional, em Medelin na Colômbia, tinham menos de 35 anos de idade e celebravam um grande momento de vida. O lateral direito Gimenez e o volante Matheus Bitencourt, conhecido como Matheus Biteco, só chegaram aos 21 anos.
O pernambucano Everton Kempes dos Santos Gonçalves brilhava entre os jovens sonhadores que exerciam a profissão mais desejada pelos meninos das periferias ou grotões do país. Natural do município de Carpina, Zona da Mata do estado, Kempes estava com 34 anos. Vem sendo lembrado no noticiário do Sudeste como “experiente” jogador por ter na sua trajetória passagem por mais de dez times, incluindo o Cerezo Osaka, do Japão. O lamento brasileiro chora ainda o triste fim de quem vivia nos bastidores, com 35 anos ou mais, e que sonhava junto com um trabalho vencedor.
O Brasil estava de luto por jornalistas e técnicos da Imprensa. Metade dos profissionais de comunicação tinha menos de 35 anos. Bruno Mauri era o mais novo, com 25 anos. Buscava, como muitos colegas repórteres, as melhores versões de um acontecimento. Nesse caso, esportivo. Trabalhava há quatro anos como técnico de gravações externas da RBS. Entre os grupos de comunicação que mais perderam profissionais estão a Fox Sports, RBS, e Globo. No mesmo vôo, profissionais experientes se foram.
Na internet, o Brasil se solidarizou. Usuários lançaram horas depois da tragédia uma campanha para que pessoas não compartilhassem nas redes sociais, como Twitter e Facebook, fotos dos mortos na tragédia. A Cruz Vermelha de São Paulo reforçou a campanha. Ideia genial. A forma mais sensata de se demonstrar solidariedade às famílias é respeitando a dor do outro, esteja ele onde estiver e seja ele quem for. #ForçaChape

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