Dom Carlos Coelho e suas lições imperecíveis (I)

Gilvandro de Vasconcelos Coelho
Advogado, professor titular de direito da Unicap e ex-procurador geral do TCE

Publicação: 29/11/2016 03:00

Fui aluno de Psicologia e Lógica do então professor, parente e amigo, Pe. Carlos de Gouvêa Coelho, no curso pré-jurídico do inesquecível Liceu Paraibano, repórter do jornal A Imprensa de João Pessoa, por ele brilhantemente dirigido, e, mais tarde, seu jurisdicionado no Recife. Assim, pude acompanhar atentamente, por mais de vinte anos, as atividades desenvolvidas por ele que foi, mais tarde, Arcebispo Metropolitano de Olinda e Recife. Dom Carlos de Gouvêa Coelho foi o 28º Bispo  e o 5 º Arcebispo de Olinda e Recife de 1960 até1964 quando, prematuramente, faleceu no dia 7 de março de 1964.
Mais de 50 anos depois do aniversário do evento, é justo rememorarmos sua trajetória. Distanciados no tempo, podemos ressaltar o seu trabalho apostólico, admirável sob todos os títulos, oferecendo o nosso testemunho.
Situando os acontecimentos no espaço temporal em que ocorreram, lembramos de que estávamos em hora conturbada para a vida nacional. Recordamo-nos de que a cidade, atordoada pela surpresa, parou. Todos queriam assistir às cerimônias fúnebres, homenagear o seu arcebispo, bem como acompanhar o esquife à sua última morada terrena, na velha Sé de Olinda, onde recebeu honras religiosas e militares.
Perguntamo-nos, agora. Qual terá sido o segredo dessa união consagradora entre governantes e governados, em torno de um antístite que, embora nordestino da Paraíba, aqui estava há menos de quatro anos, pois tomara posse no sólio olindense em 21 de agosto de 1960? Por que se irmanavam governo e povo em volta do seu pastor, inclusive para chorar a sua morte? Por que lamentavam juntos, consolando-se mutuamente, em uníssono, a perda de um líder espiritual?
Assistimos à sua sagração episcopal, oficiada em 2 de maio de 1948, pelo bispo de Manaus, Dom João da Mata Amaral. Dias após, estivemos presentes à sua posse, na Diocese de Nazaré da Mata. Ouvimos, atentamente, as suas palavras sensatas, colocando-se, sem demagogia ou ostentação, a serviço de sua igreja, para as atividades do ensino, da santificação e do governo diocesano, dentro da comunidade espiritual que, feliz, o acolhia como pastor. Certa vez, fomos ali buscá-lo para a celebração do meu casamento com Zita (Maria Luíza de Sá Pereira Freire Coelho). Durante o trajeto ele me disse que pedia sempre em suas orações para Deus dar forças a Maria e Eusébio (seus primos e meus pais) para bem educar na fé cristã a enorme prole de dez filhos, fazendo questão de lembrar cada um, a começar por mim, o mais velho, Miriam, Germano, Valêncio, Marcelo, Rejane, Liana, Fernando, Ângela e Célia.
Depois a família passou a visitá-lo em Niterói/RJ, quando Bispo daquela importante diocese fluminense, que ajudou, decisivamente a erigir em Província Eclesiástica. Quando me tornei professor de direito, e ele já no Recife, foi dele que recebemos, eu e meus irmãos que seguimos a mesma vocação do magistério, as melhores e imperecíveis lições do verdadeiro papel de um mestre. 

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