Livro dos sonetos marca o retorno estético de José Luiz

Raimundo Carrero

Publicação: 27/11/2016 03:00

Ele é um dos fundadores da Geração 65 – embora nem aceite a denominação - ; foi colega de aventura literária de Jaci Bezerra, Alberto Cunha Melo e de Domingos Alexandre nos tempos iniciais do grupo Dia Virá no Colégio Estadual de Jaboatão e conheceu a intimidade literária dos poetas desde as primeiras criações.
 Estou falando de José Luiz de Almeida Melo, que resistiu às inquietações literárias para se dedicar à Medicina e à Política, passando muito tempo em silêncio, tornando-se  uma referência, embora publicando, raramente, um ou outro poema.
 Aos poucos foi se tornando uma lenda, nem sempre encontrado e muito menos publicado. Nas conversas em bares e nos debates em colégios, vez ou outra era citado- apontado, sobretudo como um dos principais escritores do movimento. Mas como escrevia?  E o que escrevia?
Aqui e ali podemos encontrar em alguns poemas, bons poemas, e fala-se até em livros, obscuros, é verdade, de circulação restrita, com dificuldades para chegar aos leitores. Digo obscuros referindo-me à falta de circulação, e não à qualidade dos poemas.
Agora chega às livrarias o Livro dos sonetos, publicado pela Novoestilo edições do autor, que certifica  qualidade estética do poeta e reafirma sua importância  na fundação da Geração 65, na época um grupo de adolescentes que se preparava para vestibulares.
Havia uma ansiedade política no ar, até porque a época era de grande agitação, mas os poetas começaram pela estética literária, evitando a vanguarda, que era um dos caminhos indicados. Os sonetos pareciam uma volta ao passado, mas o aperfeiçoamento conduzi-os ao futuro. Ouvi de Zé Luiz, por exemplo, que o soneto era a marca profunda de Alberto da Cunha Melo.
Os sonetos de Zé Luiz são marcados pelo ritmo, pela rima e pela densidade, embora tenha um gosto especial pela repetição de palavras, o que se constata em mais de um poema. Usa, com muita qualidade, a ironia e a leveza, além de uma longa reflexão do comportamento humano, com influência, ao mesmo tempo , da filosofia e do registro sociológico.
 Por tudo isso, a poesia deste autor traz, ainda, a marca da literatura de cordel como influência decisiva, sobretudo pelo ritmo e pela linguagem. Este é, aliás, um traço curioso na poesia erudita ou na poesia popular de Pernambuco e do Nordeste.

* Escritor e jornalista

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