O Vale do Silício que margeia o Capibaribe

Jayme Asfora
Vereador do Recife

Publicação: 23/11/2016 03:00

No ano passado, uma revista de circulação nacional chamou o Recife de o Vale do Silício brasileiro por abrigar o maior polo tecnológico do país, atraindo, para o nosso município, multinacionais como IBM, Microsoft, HP e Samsung. São números significativos: 268 empresas instaladas, geração de 8 mil empregos e faturamento de R$ 1,3 bilhão ano. Diante da magnitude do setor, é preciso haver uma política de alavancagem do nível de investimentos que permita às empresas de TIC (Tecnologia da Informação e da Comunicação) ampliar a sua competitividade.
Uma rápida caminhada pelas ruas do Bairro do Recife, onde as mesmas estão instaladas (além de entidades como o Softex, Seprope e a Assespro), é suficiente para percebermos que a área respira e pensa de uma forma diferente. São pessoas de todas as idades desenvolvendo soluções que podem, através da inovação e em pouquíssimo tempo, facilitar a vida de cada um de nós. Muito se fala inclusive de como o “mundo digital” pulsa diferente de outras partes - digamos assim - mais “analógicas” da economia.
Com esse imenso conhecimento per capita que existe no bairro, o segmento já pensa em como transformar a região em um laboratório a céu aberto, onde o que for gestado será usado como piloto nesse próprio microcosmo para ser replicado no resto do país.
Para isso, um dos pontos fundamentais é a redução efetiva da alíquota do ISS das empresas para 2%. A legislação existente hoje permite o acesso a esse benefício tributário somente quando algumas condições são cumpridas. Isso o torna tecnicamente precário. Essa fragilidade jurídica resulta em um grande risco tributário e em prejuízos, contabilizados como passivo, por exemplo, pelos investidores que chegam à cidade para fechar fusões e aquisições. Nosso prefeito Geraldo Julio já demonstrou sensibilidade para com a questão. A chave, na minha análise, será a edição de lei garantidora da alíquota definitiva de 2%, como acontece em São Paulo. Assim, também impediríamos a fuga de nosso capital humano e financeiro.
O fato é que, se o setor de TIC já é significativo, ele pode crescer muito mais. É seguramente uma das portas do nosso futuro! Além disso, reitero o compromisso em lutar para implementar o ISS de 2% também para fundos de investimento, bem como para gestoras desses fundos, o que vai garantir a promoção de um novo ambiente de negócios. São mais do que sonhos, de quem pensa contribuir para tornar o Recife um genuíno Vale do Silício brasileiro e não apenas uma metáfora.

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