EDITORIAL » NE e jovens, os mais atingidos pelos desemprego

Publicação: 23/11/2016 03:00

Os números do desemprego divulgados ontem pela Pnad trimestral do IBGE trazem pelo menos dois pontos que se sobressaem do conjunto de dados. O primeiro é que “eles reforçam o cenário de pessimismo para o mercado de trabalho até o segundo trimestre de 2017”, conforme avaliação do pesquisador Tiago Barreira, do Centro de Pesquisa Econômica Aplicada do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV).  Na opinião dele, só a partir do “terceiro trimestre (de 2017) começamos a ter queda no desemprego”.
Avaliação semelhante é feita pelo gerente da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azevedo. “Normalmente, no terceiro trimestre a taxa de desocupação começa a relaxar. É quando se começa a ligar as turbinas para começar a escoar a produção para o fim do ano. Mas não foi isso o que aconteceu”, disse ele. “A região Nordeste é a que tem a maior subutilização da força de trabalho. Mas mesmo a região Sul, com o advento da crise, atinge níveis piores do que tinha no passado no passado”.  A Pnad trimestral do IBGE coleta dados de 3.500 municípios do país.  O Brasil tem hoje cerca de 12 milhões de desempregados.
O segundo ponto a destacar-se da pesquisa é o que mostra os mais atingidos pela falta de trabalho: os jovens, na faixa etária de 18 a 24 anos.  Enquanto a taxa média de desemprego no país ficou em 11,8% no terceiro trimeste de 2016, entre os integrantes dessa faixa etária foi de 25,7%.  Quando se parte para a regionalização dos dados, em algumas regiões o cenário é ainda mais desolador. No Nordeste, por exemplo, a taxa é de 29,5%, um recorde nacional. Em segundo lugar está o Sudeste, com 27,4%. A região com os percentuais menos ruins é o Sul, onde o desemprego entre os jovens de 18 a 24 anos fica em 17,1%.
O Sul foi a única região do país em que a taxa de desemprego não aumentou do segundo para o terceiro trimestre. Em todas as demais houve acréscimento no indicador - e os cinco estados em que o aumento foi mais elevado são do Norte (um) e Nordeste (quatro): Amapá, Alagoas, Bahia, Pernambuco e Sergipe. Neles, a elevação foi de pelo menos 3,1 pontos percentuais.
A crise econômica não escolhe endereços, mas em relação ao (des)emprego os mais atingidos são os jovens e o Nordeste.

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