Quando o respeito cede lugar ao preconceito

Dóris Maria Lima dos Santos
Advogada e escritora

Publicação: 22/11/2016 03:00

É revoltante constatarmos que em pleno século 21, a humanidade ainda é composta por uma parcela de seres mesquinhos, abomináveis, cruéis. Ignorantes por conta da desinformação ou porque a maldade é inerente à sua própria essência.  Refiro-me ao modo como muitas pessoas agem em relação aos bebês que nasceram com microcefalia. Crianças cujas cabecinhas apresentam um tamanho em desacordo com as outras cuja faixa etária é a mesma. Aquelas pessoas extravasam um hediondo preconceito aos bebês se afastando com olhar de desprezo ou agredindo física ou verbalmente suas mães, seja nas ruas ou em coletivos como testemunhei através da imprensa uma senhora relatar que foi empurrada e ameaçada por um indivíduo torpe, grosseiro, o qual enfatizava que a criança era filho do capeta, monstro, além de outros termos, não querendo dividir o mesmo ônibus com a jovem senhora e o seu filho.
É do conhecimento de toda ou quase toda população, que a microcefalia não é contagiosa. É decorrente do contágio da mãe pelo Zika vírus, o qual é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, que também é responsável pela dengue e febre chikungunya. Conforme o Ministério da Saúde, nos primeiros três meses de gestação o perigo da transmissão da mãe infectada pelo vírus Zyca, para o feto é determinante porque ele está em fase de formação, podendo ser infectado, nascer com microcefalia ou outras más formações no cérebro o que irá gerar problemas no seu desenvolvimento.
Consta de materiais de pesquisa que o vírus Zyka, primeiramente foi registrado nos idos de 1947, encontrado em macacos da Zika Forest, (Floresta Zika), na Uganda, África, vindo a contaminar pessoas em 1954, na Nigéria, também na África. No nosso país, de 2010/2014, somente 781 ocorrências de microcefalia, mas em 2015 veio a se tornar quase como uma epidemia, deixando a classe médica em alerta, trazendo o medo às futuras mamães. Pernambuco é o estado com o maior número de casos da doença, sendo o primeiro a registrar a ocorrência anormal de bebês que nasceram com microcefalia. Foi observado nesses casos que muitas mulheres que deram à luz às crianças com essa anomalia, tiveram o aparecimento de manchas vermelhas no corpo, juntamente com febre no início da gravidez. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças Transmissíveis  (CDC) dos Estados Unidos confirmou a relação entre o zika e os casos de microcefalia em crianças  nascidas de mães que foram infectadas pelo vírus.
O estado está fazendo sua parte, os voluntários da área de saúde, oftalmologistas, fisioterapeutas, fonoaudiólogos contribuindo com um belo trabalho. Quanto às mães, devemos parabenizá-las por seu amor incondicional e luta nessa batalha para darem aos seus filhos um pouco de qualidade de vida, deslocando-se muitas vezes de cidades vizinhas, incansáveis por sua dedicação e empenho. Com relação àquelas criaturas que no coração o preconceito fala mais alto, devemos enfatizar que a própria vida vai se encarregar de cobrá-las por todo preconceito e falta de respeito que dedicam às nossas inocentes crianças. Não se esqueçam da lei do retorno!  

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