EDITORIAL » Os jovens adoram Barack Obama

Publicação: 22/11/2016 03:00

Depois da eleição de Donald Trump, o carisma de Barack Obama parece ter ficado ainda mais em evidência. Ao menos diante do que se viu durante a despedida dele pelo mundo como presidente dos EUA, sobretudo na etapa de encerramento da agenda de 52 visitas, em Lima (Peru), quando quis mostrar o que mais o distancia do futuro inquilino da Casa Branca – a defesa intransigente da diversidade, da mistura de raças e culturas e, portanto, da imigração, pois, segundo afirmou, ela “traz muitas coisas positivas” e sempre foi o “ponto forte” da América. Como exemplo de que o país só tem a ganhar abraçando estrangeiros, citou o caso do nadador Michael Phelps e da ginasta Simone Biles, sensação nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro 2016, ambos imigrantes.
Quando a questão é empatia, sobretudo com jovens, Obama se mostra insuperável desde sempre e não falta quem diga que os Estados Unidos demorarão muito a ver outro presidente tão carismático. Falando para milhares deles, na Embaixada e na Universidade de Lima, ouviu queixas sobre as perspectivas de mudança radical na política de imigração nos EUA e tratou de tranquilizar a todos com uma de suas frases mais conhecidas – a História não anda em linha reta, mas em zigue-zague. Também se empenhou em instigá-los a defender a causa, entretanto, sem deixar de admitir que virão dias sombrios. Ao tirar o paletó e andar sem cansaço de um lado a outro, respondendo com leveza as perguntas, parecia um igual. Mais por isso e menos por ter sido responsável pela criação de um programa de bolsas que beneficiou cerca de 20 mil jovens latino-americanos, no final do encontro foi festejado como seria um superstar: aplaudidíssimo, com todos querendo tocá-lo ou fazer fotos.
Quando sair da Casa Branca, em 20 de janeiro, Barack Obama deixará ao menos um desafio para os futuros presidentes – que consigam atingir um nível de empatia e conectividade igual ou maior do que o que estabeleceu com jovens não apenas dos Estados Unidos. Foi eleito a partir da inestimável ajuda deles, dada através do mundo virtual, e vai ficar na memória da maioria como sendo aquele que, no mundo “real”, se preocupou em traduzir os anseios e medos de uma geração apavorada com os ventos de um conservadorismo assustador. Entende-se, porque, em tempo algum, juventude e governos de mente obtusa combinaram.

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