Floriano, D. Pedro, Napoleão, Dilma revisitados em romance

Raimundo Carrero
Escritor e jornalista

Publicação: 21/11/2016 03:00

Pode parecer uma parafernália, concordo. Ou um samba do crioulo doido, para usar uma expressão de expressão de Stanislaw Ponte Preta no samba famoso e que já se tornou popular, de tão repetida.Ou seja, dita assim,e sem explicação, lembra um amontoado de personagens rolando na estrada, conforme a letra de outro bolero, “Vingança”, de Lupicínio Rodrigues, cantado em todos os bares nas dores de amor.
Se me reporto, porém, à área  intelectual, nem tanto literária, lembraria a peça teatral de Pirandello: “Seis personagens em busca de um autor”. Mas não é nada disso e estou apenas circulando para entrar direto no assunto: o novo romance de José Luiz Passos – O Marechal de Costas, lançado pela Alfaguara. Sou tentado a dizer algo que me impressionou logo na primeira leitura: O grande desafio do romance é escrevê-lo. E José Luís conseguiu com habilidade de mestre.
Parece óbvio, não é? Pois não é. O autor conseguiu reunir várias técnicas, todas sofisticadas, para entregar ao leitor um texto simples, que pode ser lido com leveza, embora sem perder a ansiedade, porque perpassam por ele todos esses personagens, vendo e revendo a história do Brasil, sem forçar ideologias, até porque ficção é ficção, ensaio é outra coisa.
Destaco aqui a primeira frase do livro, que é uma das grandes artes do criador de ficção:”Absolutamente tudo, as conchas, uma flor que se abre, a maré sulcando a areia na praia, traz de volta  a Floriano a imagem de uma vagina”. Quem abandona um romance depois de ler uma frase dessa? Aprovado no primeiro desafio, José Luiz avança com muita qualidade, harmonizando os personagens  e as situações.
Aparece em larga escala, por exemplo, o discurso indireto indireto livre, apesar das marcações, uma experiência de Autran Dourado, que torna a leitura mais ágil e que facilita muito as passagens do tempo,aproximando-se do monólogo interior. Trabalho de mestre, de um sério conhecedor da intimidade da narrativa.
Lembro agora o acontecimento literário de amanhã: o debate entre este articulista, Schneider Carpeggiani e o autor do romance, que se realizará amanhã, às 20h no Centro Cultural Raimundo Carrero, à avenida João de Barros, 1468, Espinheiro, em frente ao Supermercado Extra.

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