EDITORIAL » A justiça afetiva

Publicação: 21/11/2016 03:00

Uma característica comum nas Varas de Família e Registro Civil do país é a multiplicação de processos de uma mesma família. Funciona como um círculo vicioso, onde a Justiça resolve uma ação, mas logo depois surgem outras, resultando em mais conflitos. A sensação é de um sofrimento sem fim para as pessoas envolvidas no feito. A possibilidade de tratar o emocional das partes e buscar uma reconciliação profunda e afetiva entre elas existe no âmbito da Justiça. Chamada Constelação Familiar Sistêmica, foi empregada pela primeira vez no Tribunal de Justiça de Pernambuco no último dia 7, através da Coordenadoria da Central de Conciliação, Mediação e Abitragem, junto a cerca de 30 casais.
O método envolve a aplicação de técnicas de terapia no combate a divergências e conflitos. Após fazer uma palestra para os casais, no 5° andar do Fórum Desembargador Rodolfo Aureliano, a juíza Wilka Vilela Domingues, da 5ª Vara de Família e Registro Civil da Capital, aplicou a técnica em processos de alto litígio, que abrangem divórcio, guarda, regulamentação de visitas e alienação parental.
Os participantes foram chamados a representar papéis de parentes de pessoas do grupo e revelar o que sentiam a partir do momento em que seus conflitos e emoções eram expostos e debatidos com o interlocutor. A prática ajuda a perceber as relações daquela família, o que precisa ser perdoado, resgatado e compreendido. A técnica foi criada pelo psicoterapeuta alemão Bert Hellinger, na década de 1970, e introduzida no Brasil em 1999 pelo seu idealizador.
A Teoria de Bert ou Ordem do amor é constituída de três leis básicas: o pertencimento, que significa que todos têm o direito de pertencer a uma família; a hierarquia, ou seja, quem chega primeiro tem precedência sobre os que chegam depois, enfatizando o respeito aos mais velhos, aos pais; e o equilíbrio, que implica na igualdade de dar e receber entre os membros familiares. Qualquer desarmonia nesses pontos, gera problemas nas relações com os parentes.
Após passarem pela prática, os casais têm chances de resolver os processos pendentes a partir desta semana, quando acontece a 11ª Semana Nacional de Conciliação, promovida de hoje até o dia 25, em todo o país. Junto com os juízes Élio Braz, Laura Simões e Ana Cecilia Toscano, Wilka Vilela tentará expandir a ação através do projeto Um novo olhar. A iniciativa, além de humana, ajuda a desafogar o Judiciário.

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