EDITORIAL » A pauta da consciência

Publicação: 19/11/2016 03:00

pauta é um termo jornalístico que significa “agenda ou roteiro de temas, assuntos, casos a serem apresentados numa edição de jornal, revista, programa de rádio ou televisão”, segundo o dicionário Aulete. No caso do Diario de Pernambuco, é o que cada editoria - Política, Economia, Local, Superesportes, Brasil, Mundo e Viver - apresenta para preencher a edição nossa de cada dia. Para o fim de semana, tem que sugerida com antecedência, para permitir um maior aprofundamento de acordo com os propósitos do formato de superedição de leitura com conteúdo para o sábado, o domingo e os dias subsequentes. Desta vez, um assunto que se configurava comum na pauta  era a abordagem de algum aspecto relacionado ao Dia Nacional da Consciência Negra, comemorado neste 20 de novembro, data da morte de Zumbi dos Palmares em 1695.
Mais do que uma efeméride, a lembrança conjunta permitiu a discussão mais ampla de uma questão que teima em não ser central na nossa sociedade. Por isso, o caderno 4 desta superedição tornou-se um especial da consciência negra, com reportagens que vão da moda como arma de aceitação a assuntos como racismo nos esportes e a dificuldade em abrir um negócio ou se eleger para um cargo no executivo ou no legislativo. Nossos repórteres e fotógrafos também mergulharam em aspectos como a transmissão da fé em tempos de redes sociais, a culinária dedicada aos orixás e sobre como a imagens dos séculos 19 e 20 revelam o nosso preconceito. Até o Diarinho foi incorporado para apresentar às crianças a nossa rica herança africana.
De todos os engajados neste trabalho, esperamos ter contribuído para discussões qualitativas em casa, na escola e em outros lugares públicos. Esta é a função de um jornal que surgiu há 191 anos recém-contemplados, cuja primeira edição foi produzida e distribuída por mãos negras. Ao longo de sua história, o Diario retratou, de acordo com a sua época, a luta do povo negro para a conquista dos seus direitos. Se antes figuravam como artigo de compra, venda e capturas, em 1877 o jornal já noticiava a existência de um grupo de libertos que convocava patrícios a celebrar a religião muçulmana sem perseguição da polícia. Em 1888, o Diario até ficou sem circular para festejar a assinatura da abolição. Nestas novas páginas, a celebração é mais séria, porque a luta continua, em pleno século 21.

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