EDITORIAL » Campanhas e o caos na saúde

Publicação: 18/11/2016 03:00

Novembro é azul com o intuito de lembrar ao universo masculino da necessidade preciso cuidar da saúde e fazer exames periódicos contra o câncer de próstata, de mama e outras moléstias que reduzem a expectativa de vida se não forem tratadas a tempo. Mas, durante este mês, a sociedade é alertada sobre os riscos da diabetes, uma doença silenciosa que provoca graves danos ao organismo e, se não controlada, pode provocar a falência dos órgãos e o encontro precoce com a morte.
No Brasil, são mais de 12 milhões de diabéticos e, no mundo, 400 milhões, segundo a Organização Mundial da Saúde. A doença é detectada por exame de sangue e pode ser controlada com medicamento e alimentação. Os especialistas recomendam ainda exercícios físicos regularmente. Tanto o câncer quanto a diabetes tendem a aparecer a partir dos 40 anos em homens e mulheres
As sucessivas campanhas — como o Outubro Rosa teve como alvo a prevenção de câncer nas mulheres — não têm amparo na realidade. A rede pública de saúde, na maioria das unidades da Federação, está sucateada. As unidades hospitalares entraram em colapso. O sistema não responde à demanda da sociedade. Faltam médicos, equipamentos, leitos, medicamentos e até lençóis nas unidades de saúde, de norte a sul do país.
As filas de espera para atos cirúrgicos, consultas e exames são, a cada dia, maiores. Os profissionais do setor público, desestimulados pela precariedade das condições de trabalho, não conseguem realizar um bom atendimento — isso, sem contar a parcela minoritária que é negligente que tem dupla jornada e se dedica mais à carreira na iniciativa privada..
Sobre o falido sistema, herdado de governos passados, paira ainda grande preocupação com a diminuição de recursos financeiros, a partir da aprovação da PEC 241 pela Câmara e que, agora, tramita no Senado como PEC 55. A proposta de emenda à Constituição limita a correção dos gastos federais ao índice de inflação do ano anterior. A mudança objetiva organizar as despesas governamentais, desequilibradas pelas crises política e econômica intensificadas a partir do segundo semestre de 2014. Para a equipe econômica, não há outra opção senão a aplicação de rigorosa austeridade às despesas para reencontrar o equilíbrio fiscal.
A decisão angustia os brasileiros que padecem com a má qualidade dos serviços públicos. A preocupação aumenta à espera de uma decisão do Supremo Tribunal Federal sobre o financiamento governamental de medicamentos de alto custo para pacientes com doenças crônicas. A apreensão se torna maior quando se constata que a rede de farmácia popular vem minguando. Proprietários de drogarias alegam que trabalhar no sistema já não compensa, pois antes mesmo da atual gestão, os valores pagos pelo Estado apenas empatam com a despesa, sem representar qualquer lucro aos estabelecimentos.
As campanhas entram no calendário com alertas e recomendações para a realização de exames periódicos, principalmente para pessoas com 40 anos ou mais. Quem reconhece a importância das orientações e recorre à rede pública esbarra em obstáculos para conseguir diagnóstico e tratamento. Propagandear advertências, embora seja muito importante, não é suficiente. O poder público tem a obrigação de dar respostas, para não tornar inúteis iniciativas indispensáveis à qualidade de vida da população.

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