Empreendedorismo educacional

Guilherme Gonçalves
Gestor de Inovação da ABA Global Education

Publicação: 17/11/2016 03:00

Diante de tantas necessidades educacionais na maioria dos países, incentivar o empreendedorismo na educação deve ser prioridade dos governos. O professor e escritor austríaco, Peter Drucker, considerado o pai da administração moderna, define empreendedorismo educacional como um processo de inovação com o propósito de aperfeiçoar a produtividade e a qualidade educacional. Para que o empreendedorismo floresça, é fundamental que o país tenha um ambiente político, social e econômico estável, com incentivos para atrair e cultivar o empreendedorismo.
Empreendedores são motivados pela percepção de oportunidade. Apesar de ter a maior economia do planeta, o sistema de educação básica dos Estados Unidos ficou na 36ª posição, segundo a última avaliação da OECD/PISA.  Entretanto, o sistema de ensino superior norte-americano é o melhor do mundo, com sete universidades entre as 10 melhores e cerca de 50 entre as 100 tops do ranking mundial, de acordo com a avaliação da instituição inglesa Times Higher Education. Diante deste cenário, os empreendedores percebem que na educação básica há muitas oportunidades.
O governo incentiva parcerias com empreendedores para resolver os próprios desafios. Os EUA possuem milhares de empresas educacionais criadas com a missão de resolver problemas do setor no país e no mundo. Essas organizações geram uma receita anual superior a US$ 30 bilhões, apenas considerando o mercado de educação básica americano. Há empresas com missões diversas: gestão de escolas públicas, redução de desistência de alunos, escola de pais, aplicação de testes para admissão em universidades, tecnologias educacionais etc. As tecnologias educacionais também têm preços muito mais baixos, se comparados àqueles praticados em países como o Brasil.
Enfim, o governo incentiva tudo que poderá agregar valor para melhorar a produtividade e a qualidade do sistema educacional. As universidades cooperam e participam desse processo de empreendedorismo ao criar centros de pesquisa e inovação educacional e oferecer serviços ao sistema de educação básica. As fundações educacionais se multiplicam pelos incentivos fiscais e pelo efeito contagiante do cenário. As escolas também são desafiadas a empreender.
As fundações e o governo promovem desafios que premiam, por exemplo, escolas mais inovadoras, mais sustentáveis e apoiam concursos e feiras locais, nacionais e internacionais. Os museus, com seus centros educacionais e de exibições, participam ao estimular o pensamento crítico e criativo, combustível essencial ao empreendedorismo.  Isso gera um círculo virtuoso a serviço do sistema educacional do país e do mundo. Essa é uma revolução educacional que o Brasil precisa fazer.

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