Não é fácil abandonar a tradição

José Carlos L. Poroca
Executivo do segmento shopping centers

Publicação: 15/11/2016 03:00

Se não estivéssemos vivendo nos tempos do politicamente correto, o título deste texto seria o original (old habits die hard). Afora isso, como já registrado neste mesmo espaço, não falo nem escrevo nenhum idioma, nem o meu. Já aprendi que não se diz nem se escreve “seje”, “pobrema”, “empleiteiro”, “a gente fomos”. Vejam que estou ainda no abc e falta muito para chegar a um nível razoável. Não tenho vergonha de confessar a deficiência, afinal, estou no mesmo bloco de dezenas de milhões de nativos.
Volto ao início. É a versão que consegui me aproximar para o título da letra da música do inglês Mick Jagger. Sim, estou falando do mesmo roqueiro com fama de pé frio, que tem um filho em cada esquina e que está atuante nos palcos, mesmo com 73 anos nas costas. Num outro trecho, diz que está perdido como uma criança e atrasado. É como me sinto, mesmo com uma ENORME distância de idade em relação ao astro. O “enorme” em letras maiúsculas foi proposital, pois, como meio mundo já sabe, passei dos 50 há pouco tempo.
Com a metade da minha cota já gasta, continuo atrasado e perdido como uma criança. Quando penso que ética é coisa nova, vejo, no dia a dia, que foi coisa do passado; quando indicam que integridade fica ao Norte e, quem indica, caminha para o Sul, a minha bússola (ou o meu GPS tanto faz) fica biruta, dando voltas pra lá e pra cá (no caso da bússola) ou mandando retornar (no GPS). Quando escuto alguém dizer que não pagou imposto porque foi esperto, quem fica biruta sou eu, daí a razão do sentimento de que precisamos abandonar alguns costumes e tradições que nos fizeram pobres, mal educados e tendo que engolir figuras que, em outros cantos, estariam nos cantos. Tenho orgulho de ser brasileiro e não troco o meu país por nenhum outro deste planeta. Mesmo firme, como se sabe, a carne é fraca e resistência tem limites.
Aproveito o espaço que me resta para dizer que não me indignou nem me surpreendeu o Nobel de Literatura dado ao Sr. Robert Zimmerman, também conhecido como Bob Dylan. Muita gente boa merece, mas, lamentavelmente ou não, só um pode ganhar. “Não faz sentido sentar e pensar as razões, se você não as conhece até agora” (BD).

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