EDITORIAL » Unesco diz que sem tolerância não há paz

Publicação: 15/11/2016 03:00

O mundo anda a cada dia com os nervos mais à flor da pele, o que, naturalmente, provoca um recrudescimento da intolerância e de suas severas consequências. A primeira a perder com isso é a paz – e este assunto importa a todos, porque interfere diretamente na qualidade de vida das populações. Sem paz, torna-se impossível pensar em desenvolvimento sustentável, pois ela funciona exatamente como uma força e uma fonte de inspiração para as sociedades, sobretudo em termos de superação e resiliência. Sendo assim, há que se repensar as relações e abrir caminho para a tolerância, que tem amanhã o seu Dia Internacional, instituído pela Unesco em 1995.
De acordo com a mensagem da diretora-geral do órgão, Irina Bokova, por ocasião da data, é preocupante o surgimento de doutrinas que têm como base o isolamento e a rejeição. “Eu percebo que crises migratórias, a trágica situação dos refugiados e conflitos armados são utilizados como ferramentas para fomentar o ódio aos outros, estigmatizar minorias e legitimar a discriminação. Tenho ouvido o aumento de atitudes racistas e de estereótipos de religiões e culturas, como quando se diz que povos diferentes não podem viver juntos e que o mundo seria um lugar melhor se voltássemos a tempos antigos, quando ´culturas puras´ viviam sozinhas, protegidas de influências externas, em um passado mitificado que nunca existiu”, enfatizou ela, sugerindo combate veemente ao isolacionismo.
Para a Unesco, criadora da Declaração de Princípios sobre a Tolerância, aprovada há16 anos, o intercâmbio mútuo é o que enriquece as culturas, segundo o que a própria História mostra: neste caldeirão elas se misturaram e deram origem a outras mais complexas e com múltiplas identidades. “Devemos dizer outra vez que a tolerância não é a aceitação ingênua ou passiva da diferença: é uma luta pelo respeito aos direitos fundamentais. Um compromisso renovado todos os dias, para buscar na nossa diversidade os laços que unem a humanidade”.
Em resumo, é preciso resgatar o sentimento de união entre os povos como forma de garantir a possibilidade de um futuro saudável. A Unesco convoca os seus Estados-membros a seguir insistindo no fortalecimento do espírito de tolerância, para a construção de sociedades mais inclusivas, pacíficas e prósperas. No entanto, esta precisa ser uma luta diária – e de todos. Ou nos buscamos ou nos perdemos da paz.

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