Como estamos

Alexandre Rands Barros
Economista, PhD pela Universidade de Illinois, presidente da Datamétrica e do Diario de Pernambuco

Publicação: 12/11/2016 03:00

Vários indicadores econômicos já têm apresentado sinais de melhora após o início do Governo Temer. Entretanto, alguns ainda têm tido desempenho pobre e algumas vezes indicado que alguma cautela é necessária na avaliação das perspectivas do país. A redução da inflação tem sido mais lenta do que esperada e a produção industrial e exportações poderiam estar melhores, apesar de mostrarem alguma reação. Além disso, a aprovação da PEC 241 está demorando mais do que se esperava nos mercados e o adiamento da proposta de reforma da previdência tem também induzido a questionamentos sobre a capacidade do governo atual de implementar as reformas na magnitude que o país precisa. Esses fatos levaram vários agentes econômicos a reduzirem suas expectativas de desempenho da economia brasileira nas duas últimas semanas. Caíram as expectativas de crescimento do PIB em 2016 e 2017. Vivemos de fato um momento de frustrações no âmbito econômico.
Esse sentimento de decepção parcial não é bem fundado. O governo tem tido a habilidade de conduzir negociações no Congresso de forma positiva, sem atropelar as diversas forças sociais. Tal processo frustra os órfãos do autoritarismo, que esperavam mudanças mais rápidas, mas está dentro de uma lógica democrática que compõe a realidade brasileira hoje. Essa realidade deverá ser compreendida pelos agentes nas próximas semanas e o sentimento de frustração não deverá mais ter sua causa no ritmo mais lento das mudanças do que o esperado inicialmente.
Algumas tendências, contudo, são preocupantes. Entre elas está a política monetária no que diz respeito a sua relação com a taxa de câmbio. O presidente do Bacen deixou claro que não há compromisso com intervalos para a taxa de câmbio. Isso significa que ela poderá valorizar excessivamente e com isso reduzir fontes importantes da recuperação esperada, que são as exportações e a substituição de importações. Outra preocupação é a pouca liquidez da economia, que não foi devidamente atacada através de mudanças dos ganhos relativos dos bancos entre aplicações seguras em títulos públicos e empréstimos ao setor privado nacional. Essa falha na política macroeconômica tem levado a um custo da desinflação maior do que o necessário. Também não há sinalização do Banco Central de que há preocupação com esse problema. Ou seja, não há motivos para grandes frustrações, mas poderíamos estar melhor se o Banco Central não estivesse refém de interesses imediatos de grandes bancos.

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