Turismos Rio e Recife

Ary Avellar Diniz
Diretor do Colégio Boa Viagem e da Faculdade Pernambucana de Saúde

Publicação: 10/11/2016 03:00

A prática da atividade turística, em qualquer país a ela vocacionado, quando bem gerida, tende a fortalecer a economia local.
A Espanha, antes da atual crise econômica europeia, mantinha saudável a sua estabilidade financeira, motivada, em grande parte, pelo incentivo ao turismo. Paris, a “Cidade Luz”, recebia em torno de 80 milhões de turistas anualmente, época anterior às incursões terroristas provocadas pela organização Estado Islâmico. Os Estados Unidos mantêm os nativos e estrangeiros desfrutando o turismo interno no país e ocupando um espaço de costa a costa (do Atlântico ao Pacífico), sustentável o ano inteiro.
Vamo-nos deter no Rio e no Recife.
Há poucos dias, a cidade do Rio de Janeiro, por ocasião da Rio 2016, incrementou o turismo tirando partido dos recursos particulares e governamentais recebidos. Afinal, a cidade, além das inúmeras belezas naturais, é abençoada pelo Cristo Redentor.
O Recife, suas vistas exuberantes, o doce fluir das águas dos rios sob suas pontes centenárias; a praia de Boa Viagem, cujas águas oceânicas se derramam à beira-mar e convidam a um banho de água morna em qualquer estação do ano. O pernambucano descende de valentes guerreiros perpetuados na história do Brasil, o que aguça o interesse do turista em visitar a cidade. Falta, no entanto, ao Recife ser mais eficiente no planejamento e execução da indústria sem chaminé — o turismo.
Os serviços hoteleiros e gastronômicos da Cidade Maravilhosa suplantam em número os da capital pernambucana, mas que outra cidade possui um secular Restaurante Leite, o original Beijupirá e um Bar do Caranguejo?…
Continuando: a grandeza do Aeroporto do Galeão é notória, e inegável a sua imponência estrutural e funcional. Não se deve esquecer, porém, que o Aeroporto Gilberto Freyre (Recife), conforme premiação promovida pela Secretaria de Aviação Civil, foi considerado em 2015 o melhor do Brasil e obteve o terceiro lugar na América Latina.
Fortalecendo a vontade de viver, aliada à qualidade de vida, o turista no Rio, ao ouvir a batucada do samba, agita e balança o esqueleto, e até o cachorro balança mais rápido a sua cauda…
Com um frevo efervescente, o Recife lava e purifica a alma do passista e do folião. Bumba meu boi, maracatu, ciranda, caboclinho, reisado e pastoril são manifestações folclóricas encantadoras, que deslumbram o espectador, não o deixando jamais indiferente…
Todos esses fatores se somam e contribuem para reforçar a vocação turística de ambas as cidades explicitadas. Uma coisa é destinar recursos financeiros aos projetos sociais e de inclusão social — o dinheiro vai e demora a voltar ou não volta mais; outra coisa é investir em turismo, ciente de que o dinheiro vai e volta logo, passando a atender, de imediato, aos mais “necessitados”, diminuindo as diferenças sociais — tudo isso fruto dos altos pagamentos de impostos por parte dos empreendedores —, crescimento do número de empregos na sociedade (o que melhora substancialmente a segurança), além de embelezar a cidade, aprimorar sua infraestrutura e incrementar o número de serviços básicos em prol do visitante (hotéis, restaurantes, bares, lojas, maior número de táxis em circulação…).
Infelizmente, ao assistir aos programas eleitorais para prefeito da capital pernambucana, não passou despercebido que os políticos considerados ao cargo se omitiram de qualquer pronunciamento sobre projeto turístico a realizar no Recife.
É uma pena!

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