EDITORIAL » O pessimismo com a vitória de Trump

Publicação: 10/11/2016 03:00

A vitória de Donald Trump nas eleições para a Presidência dos EUA foi recebida com estupor, tensão e pessimismo praticamente no mundo inteiro, a julgar pelo noticiário internacional.  “O mundo civilizado e democrático terá que enfrentar, uma vez mais, o MAL”, escreveu um conceituado historiador e editor mexicano, Enrique Krauze, grafando a palavra “mal” com maiúsculas. “E, uma vez mais, com sangue, suor e lágrimas, o vencerá”, completou. País vizinho dos EUA, o México foi um dos principais alvos da catilinária de Trump durante a campanha. Todos os indicativos são de que a relação entre os dois países será marcada pela tensão diplomática.
Os motivos para a preocupação com o governo Trump, no entanto, não se restringem a uma questão dos EUA com um país vizinho. Têm amplitude bem maior, uma vez que as promessas que ele fez na campanha investem contra a própria ordem mundial. Ele promete uma “América Grande novamente”, em um tom que simplificadamente soa como “o mundo que se lixe”, o que na prática significa desobrigar-se das responsabilidades internacionais de uma superpotência. Por exemplo: Trump não se mostrou contrário a que países como Coréia do Sul e Japão possuam arsenais nucleares. Consequência imediata disso: tensão com a China, que não aceita aqueles dois países com poderio nuclear. Outro exemplo: Trump quer rever as medidas de combate à mudança climática. Afirmou que pretende cancelar o financiamento a programas da ONU de combate ao aquecimento global. Mais um exemplo: os riscos de retrocesso na reaproximação do país com Cuba.
Completando o quadro temos ainda o próprio pensamento do presidente eleito, apontado como machista, racista e ultraconservador. Ontem, na Europa, ecoavam análises que estabeleciam paralelos entre a vitória dele e o avanço do fascismo nos anos 1930. O problema do fascismo não está nos ditadores, mas nas sombras dele, “nas condições que permitem a ascensão do líder”, escreveu o professor da Universidade de Columbia, Mark Mazower.
 Nenhuma vitória eleitoral, nas últimas décadas, foi internacionalmente recebida com tanto pessimismo quanto a de Donald Trump. Pelo menos neste primeiro momento pós-eleição, há uma expectativa de dias sombrios à frente. Só o futuro será capaz de mostrar se a preocupação é infundada.

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