A política, o voto e a cidadania

Roberto Pereira
Ex-secretário de Educação e Cultura de Pernambuco

Publicação: 08/11/2016 03:00

O homem, segundo Aristóteles, é um animal social e político. Tem por vocação a vida em agrupamentos. Na família, a sua primeira comunidade. Depois, na escola, uma (con)vivência fundamental à sua formação. A seguir, andando os caminhos das ruas e avenidas, das pontes e viadutos, dos becos e das praças, entre casas e prédios, lojas e bancos, aprende que esse conjunto se chama bairro. E que o conjunto de bairros se constitui numa cidade. As cidades, reunidas, formam os Estados, e, estes, por sua vez, os países. Uma cidade e as suas comunidades, urbana e rural, definem o município.

O homem aristotélico não pode e nem deve ser apenas um elemento no conjunto da família. Nem da sua escola. Nem da sua rua. Muito menos do seu bairro. Tampouco da sua cidade, do seu Estado ou do seu País. Ele se integra, mas assume compromissos e responsabilidades. Também começa a definir os seus espaços, a sua vontade, a sua vocação e a sua liberdade. Em outras palavras, direitos e deveres.

A participação do indivíduo, preenchidas as exigências para fazer parte do Estado como pessoa capaz de exercer os seus direitos e cumprir com as suas obrigações, define o cidadão. Desse exercício, de imensa dimensão, advém a cidadania, que não é o aleatório nos limites da Geografia, mas uma postura diante da comunidade, desde os grupos menores, a família e os bairros, até o agrupamento maior do universo humano, onde se incluem as comunidades nos espaços municipal, estadual e nacional.

A cidadania e a ética estão como num sistema de vasos comunicantes, uma não  sobreleva à outra, já que a ética é o sustentáculo da sociedade; na sua ausência o caos se estabelece em detrimento dos valores humanos, gerando a barbárie, os desmandos, a chamada terra de ninguém. Pode existir uma política sem ética? A cultura sem a ética? A ética tem aptidões investigativas, estudos e análises comportamentais da moral, representando o elenco basilar às relações humanas.

A cidadania é o segundo dos cinco assentamentos da República, como consagra o art.1º de nossa Constituição Federal: “A República federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos estados e municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado democrático de direito e tem como fundamentos: I – a soberania; II – a cidadania; III – a dignidade da pessoa humana; IV – os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; V – o pluralismo político”.

Se entendermos a política como ciência, virtude e arte do bem comum, como a definiu Alceu Amoroso Lima, começamos a desenhar uma situação singularmente plural do homem todo e de todos os homens. Contudo, estejamos também atentos às ações não somente daqueles cujos nomes sufragamos nas urnas, mas, também, dos outros escolhidos para não ficarmos passivos assistindo à panacéia da corrupção com os recursos públicos, estes precisando chegar à ponta da linha para a geração dos benefícios sociais.

A Declaração dos Direitos do Homem, pouco lembrada, acentua no seu art.1º: “Todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação aos outros com espírito de fraternidade”. Eis o homem na sua plenitude.

O voto é um testemunho à democracia. É, na urna, a linguagem da cidadania. Uma profissão de fé. O livre-arbítrio de quem pode escolher uns dentre tantos com a mesma postulação. Um ato de consciência. Ao cidadão, antes do voto, o dever de conhecer a pessoa-candidata, a sua moral, bem como os seus programas e metas, as suas idéias e os seus ideais. Esse conhecimento gera estudos e análises. Conversas e debates. Enfim, o pensar a cidade, por exemplo. Pense e vote ungido pelos ditames da democracia e da liberdade. A Pátria agradece!

Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.