EDITORIAL » Cuidado com o planeta

Publicação: 08/11/2016 03:00

Entrou em vigor, na última sexta-feira, o Acordo sobre Mudança do Clima. Ontem, em Marrakech, representantes dos 195 países signatários começaram a discutir, na COP22, a regulamentação da convenção, que objetiva a tomada de medidas para conter a elevação da temperatura do planeta. O encontro se estenderá até dia 18. O Brasil, ao lado de países vizinhos, como Chile e Peru, leva na bagagem boas iniciativas ambientais que são  exemplos de como contribuir para perenizar a vida no globo. O país combateu e conseguiu reduzir o desmatamento na Amazônia em cerca de 80%, assim como no Sudeste, com a preservação da Mata Atlântica, no Centro-Oeste, com uma exploração mais racional das áreas degradadas, que podem ser incorporadas à produção agropecuária, no Sul e no Nordeste, com o enfrentamento dos espaços nos quais avança a desertificação.

Entre as cidades brasileiras, o destaque fica com Curitiba e Porto Alegre, que, a exemplo de Santiago do Chile, terão metrô que funcionará com energia solar. Em Quito, no Peru, ocorreram mudanças: a construção da primeira linha de metrô e a criação de parques ecológicos. Tais iniciativas, ainda que pareçam pequenas, indicam que o compromisso dos governos latinos com o Acordo de Paris, firmado há um ano, não ficará restrito ao papel. O acordo vem se tornando concreto, ainda que seja necessário fazer mais para construir um modelo sustentável de desenvolvimento.

O Brasil tem potencialidade para conquistar o protagonismo no Continente Sul-Americano. O patrimônio natural e o clima permitem ao país contar com a energia solar durante todo o ano na maioria das regiões, favorece o crescimento da produção de energias limpas, com emissão zero de gases de efeito estufa. Essa capacidade pode ser  transferida aos parques industriais e a outros setores produtivos.

Em relação ao transporte coletivo, o país fica muito a dever. A frota particular e a opção pelo combustível fóssil, em vez do biocombustível, destoam do processo de construção de um sistema ecologicamente sustentável. Parte dessa deficiência, a ser corrigida, está associada à importância do setor automobilístico na oferta de emprego e renda à população, sobretudo quando a crise resultou em mais de 12 milhões de desempregados.

Na agricultura, o modelo agroflorestal, que combina diferentes espécies de árvores com o cultivo de produtos alimentícios e a criação de animais, tem se revelado a melhor opção. Além de reduzir ou dispensar o uso de defensivos e consumir menos água, o impacto antrópico é  baixo. Assim, a produção de alimentos não extingue a vegetação nativa, mas a tem como parceira para evitar a aplicação de agrotóxicos.

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