EDITORIAL » Apostar no futuro

Publicação: 04/11/2016 03:00

A comunidade internacional tem de mobilizar todas suas forças para colocar em prática as medidas propostas, nos fóruns multilaterais, visando a busca de um novo modelo de sociedade, em que seja dada prioridade para a necessidade de conciliar a melhora das condições de vida humana com a realidade da mudança climática, que já provoca alterações indesejáveis em todo o planeta. O momento atual é de escolhas para o futuro não muito distante e para os históricos acordos ratificados no ano passado, como Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU (ODS) e Acordo do Clima de Paris, que demonstraram existir interesse em se construir um novo mundo.
Se os acordos forem implementados conjuntamente, as nações darão um passo decisivo para não comprometer, de forma irreversível, a utilização dos recursos naturais que, hoje, são explorados de maneira inadequada e não sustentável. Os ODS têm, entre suas metas, a eliminação da pobreza até 2030, algo difícil de ser cumprido, mas não impossível, se houver o comprometimento verdadeiro dos governantes e da sociedade para a erradicação desse mal que aflige grande parte da humanidade.
O Acordo de Paris, por sua vez, estabelece metas para o controle das emissões globais de gases de efeito estufa antes da metade do século. Para o cumprimento do acordo, os governos têm de buscar soluções para a rápida transição dos meios de transporte, o modelo energético e o uso da terra, hoje, responsáveis pelas elevadas emissões de carbono,por opções mais eficientes, menos dependentes dos hidrocarbonetos e resistentes aos efeitos das mudanças climáticas.
O problema é que os países não contam com muito tempo para tomar decisões de grande impacto para seus orçamentos e cruciais para o seu futuro, como a escolha entre os combustíveis fósseis e os biocombustíveis, que são renováveis. A janela para a tomada de decisões corretas não ficará aberta por muito tempo, e os níveis de emissões atuais e projetadas deixam claro que a implementação do Acordo de Paris se faz urgente. A opção para o modelo de desenvolvimento a ser seguido está intimamente ligada ao controle eficaz da emissão dos gases do efeito estufa.
Na realidade, as decisões das autoridades relativas à edificação da infraestrutura de cada país, nos próximos anos, poderão determinar a capacidade das nações de cumprir os compromissos do Acordo de Paris, ou simplesmente condenar o planeta a testemunhar a elevação da temperatura, com reflexos nos ecossistemas e na produção de alimentos. O que se espera é que os investimentos sejam direcionados para projetos inteligentes, como energia solar em grande escala, parques aeólicos e transporte limpo. Com isso, os impactos das mudanças climáticas no planeta poderão ser minimizados, para o bem do próprio ser humano.

Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.