EDITORIAL » 2017 com mais empregos?

Publicação: 03/11/2016 03:00

A previsão é do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e foi divulgada pelo Portal Brasil, página do governo Federal na internet: em 2017 o país vai crescer e a geração de empregos deve ser retomada.
Dado o cargo que ocupa, e sua trajetória profissional, Meirelles é o que se pode chamar de “fonte confiável” para esse tipo de frase. Evidente que “confiável” não é a mesma coisa que “infalível”, e projeções otimistas de um ministro da Fazenda devem ser recebidas com algum ceticismo, porque as opiniões deles tendem a ser otimistas, uma vez que têm potencial para interferir na realidade. Além disso, o governo inteiro está numa cruzada para a aprovação no Senado da chamada PEC 241, que limita os gastos públicos e é considerada essencial para o crescimento do país. Mesmo assim, uma previsão de retomada de empregos no meio da crise em que estamos só pode ser recebida com esperança por todos nós.
O Brasil tem hoje cerca de 12 milhões de desempregados. Nos últimos 12 meses até setembro, foram extintas 1,6 milhão de vagas formais, segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).  É um quadro de efeitos dolorosos para toda a sociedade - não só pelo impacto que gera nos que estão sem emprego; também pelo temor que espalha entre os que estão empregados de ficarem desempregados.
A raiz da projeção do ministro é que o Brasil terá crescimento econômico no próximo ano (segundo ele, “existem diversas indicações” neste sentido). Acontecendo isso, a “consequência natural e inevitável” será a retomada do emprego, afirmou Meirelles.
“Nós esperamos que daqui a um ano o ambiente no país já seja outro e todos estejam confiantes, não só na manutenção do próprio emprego, mas também na obtenção de um emprego melhor”, disse Meirelles.  Ou seja: o otimismo dele não está só na criação de vagas para quem está desempregado; reside também na progressão para quem está empregado.
Resta-nos esperar que a previsão do ministro se confirme, tornando realidade o que hoje por enquanto é retórica.

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