Quatro décadas

José Luiz Delgado
Professor de direito da UFPE

Publicação: 02/11/2016 03:00

Expressivo aniversário – 40 anos! de fato transcorridos há 2 meses, em agosto – foi comemorado no dia 20 de outubro: o de um pequeno organismo, o CEHM, Centro de Estudos de História Municipal, existente no interior do Condepe/Fidem (originariamente, da Fiam), e hoje coordenado por Miguel Meira de Vasconcelos, organismo que é uma singularidade pernambucana, um das muitas que notabilizam Pernambuco no cenário nacional, mas que é desconhecido por muita gente, a começar pelo governo estadual, dentro do qual esse organismo existe – ou subsiste e resiste.
A notável singularidade, que é o CEHM, parte de um fato comum, ocorrente em muitíssimas cidades interioranas brasileiras: filhos da terra que se dedicam ao passado de suas localidades: ora apenas registrando os acontecimentos que presenciaram, anotando as memórias que antepassados lhes transmitiram, as lembranças que vieram de outras gerações; ora fazendo mesmo pesquisas sobre fatos antigos, em papéis velhos, arquivos de cartórios, jornais até desaparecidos – ainda que, algumas vezes, de forma empírica e não sistematizada. E fazem isso espontaneamente, desinteressadamente, sem visar qualquer tipo de recompensa, abnegadamente, heroicamente muitas vezes. É comum de nem os próprios conterrâneos os prestigiarem, vistos, muitos, como esquisitões, a remexer em papéis bolorentos e se desfazendo.
Em relação a essa tão fundamental história municipal, Pernambuco vem tomando – já há 4 décadas – uma iniciativa que, mais do que pioneira, é inédita no Brasil inteiro, e é notável. Graças a três admiráveis homens públicos a administração pernambucana  iniciou um programa de apoio a esses historiadores. Eles criaram, dentro da FIAM, um pequeno organismo, mas não para escrever a história dos municípios do interior, e sim para apoiar aqueles historiógrafos locais espontâneos e abnegados, não somente congregando-os, mas sobretudo publicando o resultado de suas investigações. Já são, ao todo, quase 120 livros publicados, uma média de 3 por ano – o que é robusta realização. Não há organismo similar nas outras administrações estaduais brasileiras.
O primeiro dos três administradores foi Emilio Carazzai, paranaense admiravelmente identificado com as coisas de Pernambuco, que teve a ideia, a partir de conversa em que casualmente lhe dei notícia das iniciativas de Luiz Delgado, meu pai, em favor da história local pernambucana. A Emílio ocorreu que bem poderia a FIAM, a que ele então presidia, e sendo órgão de assistência aos municípios, sediar a institucionalização daquele esforço. Levou o projeto ao Secretário de Estado, Luiz Otávio Cavalcanti, e este imediatamente o adotou. Alçado Emilio para outra função, seu sucessor na FIAM, Paulo Roberto de Barros e Silva, comprometeu-se com a causa e patrocinou a instalação e os primeiros passos desse pequeno organismo que chegou agora aos 40 anos (quantos ainda durará?) e que é simplesmente exemplar.

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