Economistas & Profetas

Meraldo Zisman
Médico psicoterapeuta

Publicação: 01/11/2016 03:00

Entendo como economia a ciência que estuda os fenômenos relativos à troca de bens e serviços gerados ou obtidos por uma coletividade, estado ou grupo social. Em que pese o fato de a economia recorrer à matemática, entendo que ela permanece sendo uma ciência social como são a antropologia, a biblioteconomia, os estudos da comunicação, o marketing, a administração, a arqueologia, a geografia humana, a história, a linguística, a ciência política, a estatística, o direito, a psicologia, a filosofia social, a sociologia e o serviço social, nenhuma das quais é uma ciência exata.
A ciência da economia não pode ser uma ciência exata. Mesmo a aplicação da matemática e da estatística, que são teoricamente precisas, é imprecisa quando se trata de seres humanos. Uma medida econômica depende de vários fatores imponderáveis para funcionar, porque depende das pessoas e as pessoas são imponderáveis. A economia recebe hoje o epíteto de “ciência econômica” mais para delimitar o campo de atuação dos economistas. E por vezes a denominam de “ciência política”. Esquecem que “ciência econômica” e “ciência política” não são equivalentes. A ciência econômica não responde às consequências políticas resultantes das suas atuações e aplicações.
Por sua vez os profetas são pessoas, religiosas ou não, supostamente inspiradas por uma divindade ou entidade espiritual. O profeta não fala em seu nome pessoal e sim em nome de um Ser superior. Pelo que sei o profeta não é uma profissão liberal como a do economista. Observo o comportamento dos economistas brasileiros, alguns que tiveram trajetórias trágicas até no Ministério da Fazenda, que vivem dando opinião e são ouvidos e respeitados como se fossem adivinhos.
O que gostaria de sublinhar é que a Constituição brasileira de 1988: assegura a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica, independentemente de autorização de órgãos públicos, salvo nos casos previstos em lei. Às profissões liberais como economia é exigido diploma que deve ser obtido em escolas superiores reconhecidas pelo Ministério de Educação e Cultura.  Desconheço diploma de profeta, pois eles não podem ser considerados profissionais, muito embora haja liberdade de culto no Brasil. Não tenho lá muita certeza, mas foi ou é atribuída ao Zygmunt Bauman à frase: No século 21 não existem profetas e sim especuladores.  Mas a verdade é que os economistas adoram prever o futuro. Eles expressam suas opiniões em momentos de crise, assim como astrólogos, adivinhos, mágicos, profetas e todos os tipos de videntes.  Apesar da incerteza causada pela crise política e financeira que estamos vivendo, seria interessante que esses profissionais assumissem um comportamento mais humilde e cuidadoso nas suas conclusões e como as noticiam. Em sua ânsia de prever o futuro não deveriam provocar pânico coletivo. Profetizar o futuro é algo muito perigoso e os profetas estão sempre errados, por terem razão. Profetizar o futuro é fácil mas é muito perigoso, principalmente agora.
Hoje, as pessoas comuns, que formam a base dos estudos econômicos, tornaram-se incômodas para os banqueiros, para os mais influentes tecnocratas, e – principalmente – para os políticos que necessitam de seus votos para permanecerem empregados.

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