EDITORIAL » Os desencantos traduzidos nas abstenções e votos brancos/nulos

Publicação: 31/10/2016 03:00

Encerradas as eleições 2016, restaram muitas dúvidas na cabeça de eleitores razoavelmente politizados. A principal delas talvez seja quais os ganhos que o país terá com a nova configuração das prefeituras e isto só os próximos quatro anos irão dizer, embora praticamente todas as análises apontem que os brasileiros não devam esperar mudanças substanciais. Além disso, os mandatos, desde o primeiro turno, se mostraram enfraquecidos pelo percentual de votos brancos e nulos e abstenções, que deram pistas sobre um provável desencanto da população com os atores da cena política nacional, embora o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes, tenha tentado atribuir, no primeiro turno, o resultado a outros fatores. Mendes é um dos que se posicionam contra no debate a respeito do fim do voto obrigatório, citando sempre o caso do Chile, que fez esta opção e acabou, nas últimas eleições, vendo 60% dos eleitores distantes das urnas.

Tal como no primeiro turno, o índice de votos inválidos voltou a sinalizar para a insatisfação do eleitor, à qual cientistas políticos também imputam a falta de novos nomes e de novas propostas, em nível nacional. O melhor exemplo deste possível desencanto é o Rio de Janeiro, onde o senador Marcelo Crivella (PRB), bispo licenciado da Igreja Universal, foi o escolhido para comandar a prefeitura pelos próximos quatro anos. Crivella, que já havia tentado por duas vezes ser eleito, atingiu 59,36% dos votos válidos e Marcelo Freixo (PSOL), 40,64%. Mas as abstenções, brancos e nulos superam o total de votos recebidos pelo primeiro colocado (2.034.352).

Se do ponto de vista de desânimo na relação do eleitorado com as urnas não houve surpresa, as escolhas, também, se mostraram previsíveis. Não tanto assim no que se refere ao percentual alcançado por alguns, caso do prefeito reeleito Geraldo Julio (PSB), que obteve 61,3% dos votos válidos, contra 38,7% de João Paulo de Lima e Silva (PT), ex-prefeito do Recife. Uma vitória considerada mais expressiva. Agora, as expectativas se voltam para os próximos quatro anos, quando se espera que, tendo se fortalecido politicamente com a experiência administrativa adquirida, Geraldo Julio possa dar continuidade a projetos importantes para o município, além de tirar do papel outros reivindicados pela população.

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