Fisioterapia urológica: incontinência urinária em homens pós cirurgia de próstata

Joana Nunes de Melo Neta
Especialista em Fisioterapia Urológica e sócia do GRAP (Grupo de Reabilitação do Assoalho Pélvico)

Publicação: 27/10/2016 03:00

No Brasil o câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens, atrás apenas do de pele. Em valores absolutos, é o sexto tipo mais comum no mundo e o mais prevalente entre os homens, representando cerca de 10% do total. A prostatectomia radical (PR) é o mais antigo e o mais eficaz método de tratamento cirúrgico do câncer prostático localizado, por apresentar elevados índices de cura da doença. Contudo, esse tipo de procedimento causa algumas complicações ao paciente, entre elas a incontinência urinária (IU), que é a mais aflitiva.

Sabe-se, também, que a incontinência urinária após a realização da prostatectomia pode resultar em lesões esfincterianas que tornam a geometria da junção uretrovesical menos favorável para manter a continência urinária. Estudos recentes dão conta de que a incontinência urinária após a prostatectomia pode atingir mais de 80% da população masculina, principalmente durante os seis primeiros meses após o procedimento. Um ano após a retirada da próstata, entretanto, esses números caem para pouco mais de 40%.

O que resta claro é que a incontinência urinária pode gerar comprometimentos psicológicos significativos no paciente, como ansiedade, depressão e insônia, bem como complicações fisiológicas, como infecções recorrentes do trato urinário. Todas essas respostas à cirurgia levam a um constrangimento que afeta de forma relevante a autoestima do indivíduo, ademais, em muitos casos, o paciente terá que usar fraldas como medida protetiva. Como se nota, a incontinência urinária pode ocasionar complicações sérias no período pós-cirúrgico, evidenciando um impacto por demais negativo na qualidade de vida do paciente, que podem ser eficazmente atenuadas.

Pode-se assegurar que a fisioterapia é um dos tratamentos recomendados para a incontinência urinária após a prostatectomia, pois comprovadamente fortalece a musculatura do assoalho pélvico (MAP).  Observa-se, através de uma revisão literária, que há eficácia no tratamento fisioterapêutico e os principais resultados encontrados são: a) aumento da força de contração da MAP; b) diminuição de perdas urinárias com consequente redução do uso de fraldas; c) diminuição da frequência urinária.

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