Parte para sempre o capitão da Copa de 70

Giovanni Mastroianni
Advogado, administrador e jornalista

Publicação: 26/10/2016 03:00

Guardo com muito carinho algumas revistas editadas em 1970, ano em que o Brasil, conquistou, no Estádio Azteca do México, definitivamente, a Copa Jules Rimet. Nelas, as fotos, em cores, de todos os Gigantes da Copa de 70 com dedicatórias e assinaturas de quase todos os vinte e dois jogadores convocados pelo técnico Mario Jorge Lobo Zagallo: Félix, Carlos Alberto Torres, Brito, Wilson Piazza, Everaldo,  Zé Maria, Clodoaldo, Gerson, Jairzinho, Tostão, Pelé, Rivellino, Ado, Leão, Fontana, Joel, Baldocchi,  Marco Antonio, Paulo César, Dario, Edu e Roberto.

O selecionado poderia ter sido diferente, caso o cronista João Saldanha continuasse à frente da direção técnica do selecionado canarinho. Todavia, a recusa em convocar Dario, imposta pelo presidente Emílio Garrastazu Medici, levou-o à demissão. Como cronista esportivo que eu era à época já havia entrevistado Saldanha e sabia de suas preferências. Meses antes do início da Copa, em uma das vindas do Botafogo ao Recife, fui convidar e levar Zagallo do hotel onde ele se encontrava hospedado, a fim entrevistá-lo na emissora. Obtive a concordância dele, mediante um trato: desde que eu não o indagasse se ele seria o substituto do técnico demitido e não indagasse sua preferência para formação do selecionado brasileiro, a fim de não criar expectativas.

Tempos depois a designação de Zagallo para treinador, embora, oficialmente, para a Fifa o técnico tenha sido Admildo Chirol, diplomado em educação física, introdutor do Método Cooper, usado, então, pelos astronautas norte-americanos, aprovado pelo supervisor da seleção, o capitão Cláudio Coutinho e pelo preparador Carlos Alberto Parreira.

Finalmente, dia  21 de junho de 70 e a ansiedade de milhões de brasileiros que acompanhariam, pela primeira vez, em cores, pela TV, a seleção brasileira, capitaneada por Carlos Alberto Torres, disputando a final da Copa do Mundo, enfrentando a poderosa esquadra azurra – a Itália. Com gols de Gerson, Jairzinho, Rivellino e do capita” Carlos Alberto Torres, o quarto e último.

Um fato inusitado, todavia, aconteceu nesse dia. A TV-U não havia adquirido a devida licença para a retransmissão daquela final. Como a TV-Cultura,  de São Paulo, também uma emissora educativa, obtivera, a TV-U entrou em cadeia para retransmitir o jogo e, no intervalo da partida, eu fiquei responsável pelos comentários, que sempre aconteciam ao término de cada jogo, sem qualquer problema. Mas, naquele dia não aconteceu, pois os fiscais de rádio e televisão apreenderam o “cristal’ da emissora e a emisssora foi punida com vários dias fora do ar. Apesar da punição, o público assistiu ao gol de Carlos Alberto Torres, considerado ontológico. É ele, agora quem se despede para sempre de seus milhares de admiradores espalhados por todo esse Brasil.

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