EDITORIAL » Prevenir é indispensável

Publicação: 21/10/2016 03:00

O último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde mostrou que caiu de 1,5 milhão para 1,4 milhão o número de casos de dengue no país, em setembro. Segundo informes da pasta, no primeiro semestre deste ano, 138 mil pessoas foram infectadas pela chikungunya, das quais 17 morreram, e 166 mil tiveram febre pelo vírus zika. O mosquito Aedes aegypti é o vetor de todas essas doenças. No início deste ano, o governo federal convocou as Forças Armadas para assumir a linha de frente na guerra contra mosquito. A ação nociva do inseto ganhou dimensão extraordinária, quando as autoridades sanitárias identificaram que o zika vírus era o responsável pelo elevado número de bebês que nasceram com microcefalia, principalmente no Nordeste.

A redução dos casos de dengue, na comparação com setembro de 2015, está longe de significar uma trégua do mosquito. A dois meses do início do verão, quando as chuvas são mais intensas em todo o país, as projeções são de que mosquito poderá ser mais impiedoso com os brasileiros. Desde o início de 2016, o Ministério da Saúde está empenhado em difundir iniciativas de combate aos focos de reprodução do Aedes, entre elas a coleta de pneus. Até agora, 12 unidades da Federação aderiram à campanha. Entre as regiões, a Sudeste é a que detém o maior taxa de infecção, com 842.741 casos. Minas Gerais é o estado com mais elevado número de pessoas infectadas: 523.597 ante 173.903, em 2015.

A preocupação dos governos com as epidemias tem pouco reflexo na realidade. Os recursos destinados às campanhas e às ações preventivas são facilmente desviados quando o poder público é pressionado pela demanda por atendimento. Ou seja, a prevenção é preterida para atender necessidades mais urgentes, como a compra de medicamentos. Esse círculo vicioso ocorre de Norte a Sul do país. Independentemente das ações preventivas, capitaneadas pelas equipes de vigilância sanitária e epidemiológicas, faltam campanhas ostensivas e mobilização social permanentes  para alertar e educar as populações mais vulneráveis.

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