O rei sol tropical...

Publicado em: 21/08/2018 03:00 Atualizado em: 21/08/2018 09:02

Na França do século 17, Luís XIV, o “Rei Sol”, o “Grande”, o “Divino”, tinha como certo que o seu poder emanava de Deus. Como monarca, foi um dos principais líderes e expoentes da centralização do poder na era do “absolutismo”.

Seu nome de batismo era “Louis-Dieudonné”, que traduzido significa “Louis, o presente de Deus”.

Seu poder era incontestável, e aqueles que ousavam dele discordar, tinham como destino a forca ou a decapitação (perdiam, literalmente, a cabeça).

Dentre seus principais ministros, destacava-se Jules Mazarin, um cardeal italiano (Giulio Mazarino), conhecido por suas extravagâncias e por ser um grande colecionador de joias, algumas das quais, ainda hoje estão expostas no Louvre.

Tinha total domínio sobre todos, e sobre tudo o que dizia respeito ao Estado, e formou o “Conselho Superior”, integrado por homens que lhe obedeciam  cegamente, sem contestação, oriundos da baixa burguesia. A este conselho cabiam inclusive as decisões referentes à Justiça.

Gastava enormes somas, para manter o controle sobre a Corte Real, pois os nobres e os seus vassalos, preguiçosos, malandros e corruptos, não aceitavam abrir mãos das suas posses, festas, e propriedades.

Casou-se com a Infanta de Espanha, Maria Tereza de Austria, mas tinha várias amantes, às quais concedia títulos e honrarias, o que as tornava, às vezes, até mais poderosas e influentes que a própria rainha.

Quatrocentos anos depois, a história se repete, em um outro país, mas guarda grandes semelhanças, até mesmo em relação ao nome do monarca. Se você conseguiu adivinhar a quem estou me referindo, ganha uma viagem a Curitiba.

Este ser que se diz iluminado, acima da lei, honestíssimo, absoluto em suas vontades e decisões, intocável e também dono de um poder divino e incontestável, tem também entre os seus preferidos, um grande apreciador de joias, mansões, iates e outros luxos.

Este senhor dos senhores é alguém a quem todos se curvam e submetem, gravitando em seu entorno, como se seguissem ao Rei Sol, a um novo Messias.

Corta cabeças sem nenhum escrúpulo, trai e abandona abertamente seus seguidores, nega suas amizades e deixa exposto e indefeso qualquer um que ameace abalar ou interferir em seu projeto de poder. Junta-se apenas aos que a ele se submetem, aos sem capacidade critica, aos que se recusam a ver a realidade carcomida que representa.

Apresenta-se como o “protetor dos pobres”, enquanto faz acordos espúrios e vive em conluio e se aproveita das benesses oferecidas pelos representantes das elites. A lei, a justiça, e o futuro do pais não importam, desde que o seu mito de infalibilidade seja mantido e utilizado para desmoralizar instituições, derrubar verdades ou impor vontades.

A grande diferença é que, no seu caso, virou  “Rei Sol - quadrado...”.

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