A democracia representativa sobreviverá?

Publicado em: 14/08/2018 03:00 Atualizado em: 14/08/2018 08:35

O saudoso professor Marcos de Barros Freire, quando de suas aulas (Economia-UFPE-1968) nos brindava com leituras extraídas dos editoriais e artigos de opinião, com temas sobre economia, política e cultura do Diario de Pernambuco, que ele trazia recortado e montado numa página de papel ofício. Quantas vezes ele nos disse, “os políticos: presidente, governadores, prefeitos, senadores, deputados federais, estaduais e vereadores, deveriam (sic) tirar lições dos editoriais e dos artigos de opinião e encaminhá-los à realidade dos seus dias”.

Saudosismo à parte, mas com o pensamento no presente e, no melhor estilo “a arte imita a vida” (Aristóteles, 384-322 a.C), tento seguir o mestre, tirando de um editorial as semelhanças que ocorre ao meu redor nos dias atuais. Do editorial: “Deputados e senadores parecem não ter limites. Sem a menor preocupação com o país, aprovaram medidas (LDO) que, se colocadas em prática, vão resultar em gastos adicionais de R$ 100 bilhões a partir de 2019. (...); quem acompanha o dia a dia das contas públicas sabe que o Brasil caminha rapidamente para a insolvência” (ver; editorial Um surto de irresponsabilidade, Diario de 14 e 15/07-2018).

Não bastasse isso, não é que os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), aprovaram reajuste dos próprios salários (08.08), gerando um provável rombo de R$ 42 bilhões, enquanto 13 milhões de brasileiros estão desempregados e o país passa por uma crise fiscal, para não falar da crise moral, ética etc, etc. A própria ministra-presidente do STF sentiu vergonha e votou contra o aumento de 16,38%: “Esse aumento salarial não é o melhor para o Brasil”, disse.

A sensação que nos ocorre é que, tanto o Poder Legislativo quanto o Judiciário – para não citar aqui o Poder Executivo, obra-prima dos escândalos – não respeitam a função precípua da representação, legado da “engenharia” montesquiana, senão rousseauna e lockeana cada qual contribuindo com “a liberdade, a organização social, a representatividade, a divisão da administração pública, privada e liberal que geraram as revoluções sabidas da humanidade nos séculos 17 e 18”. Como consequência dessa irresponsabilidade, nega-se a democracia e, no seu lugar, a figura de um líder populista e deu no que deu. O país está à mercê de bandidos encarcerados, responsáveis por 63 mil assassinatos (2017), e proibindo o ir e vir do brasileiro: isso é o caos! Estamos a caminho da desobediência civil.

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