Ocupar espaços: um processo coletivo

Publicado em: 13/08/2018 03:00 Atualizado em: 13/08/2018 08:38

O conceito de uma cidade tem como princípio básico a ideia de que ela seja desenvolvida de acordo com as necessidades dos seus cidadãos e, através dela, seja possível alcançar as melhores experiências e resultados coletivos.

E é consciente que as cidades geram suas próprias histórias e são desenvolvidas para servirem às pessoas, que tenho dedicado meu mandato de vereador recifense também para questões urbanas. Acredito que o novo olhar público para investir em cidades resilientes é essencial para melhorar a vida de quem as ocupam.

Pensar em como tornar a cidade cada vez mais democrática, onde todos se sintam incluídos, precisa ser um processo pensado junto com a sociedade. E sua consequência pode ser tanto um projeto de lei como a criação de áreas de convivência comunitária. E aí reside um dos papéis do legislador, contribuir para que ideias se tornem realidade.  

Se existe algo em que tenho convicção é que quanto mais gente caminhar nas ruas, mais seguros ficam os espaços públicos. Por isso, o pedestre é o personagem principal desse processo. Ouvindo especialistas e cidadãos que conhecem de perto as dificuldades,  apresentamos projetos voltados a quem se desloca apenas a pé ou usa as calçadas para chegar ao transporte público. Ou seja, a maioria da população. As propostas visam assegurar o protagonismo do pedestre previsto na legislação brasileira. Por sugestão do consultor Francisco Cunha, garantimos a implantação de placas que alertam sobre a prioridade do pedestre nos cruzamentos.

Na mesma linha, destaco ainda um projeto feito coletivamente pelos membros do grupo Casa Forte Mais Segura - que reúne moradores do bairro, do Poço da Panela e Monteiro e é coordenado magistralmente pelo empresário Yves Nogueira. Estou falando da revitalização do Largo do Holandês que contou com o apoio do nosso mandato. A maioria dos recifenses desconhece o lugar: uma confluência entre as ruas Samuel Lins e Flor de Santana, às margens do Riacho Parnamirim. Em 1645, se constituiu em via utilizada pelos holandeses como rota de ataques durante a batalha de Casa Forte.

O local integra nosso rico folclore. Em tempos passados, alguns mais imaginativos visualizaram a figura de um guerreiro ruivo holandês ou ouviram barulho das correntes de escravos ou gritos de dor no local onde antes situava-se o Engenho de Anna Paes.

A área vinha se tornando um problema público, virando ponto de descarga de lixo dos moradores das redondezas. Sua revitalização tomou forma a partir da mobilização dos moradores. A iniciativa também contou com o reforço fundamental da Prefeitura do Recife, através da sua Secretaria de Inovação Urbana e Emlurb. O Largo surgiu da ideia de um grupo. E o espaço passou a ser de todos. Agindo coletivamente, alcançamos resultados para muito mais pessoas.

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