Tapioca e o queijo assado...

Publicado em: 09/08/2018 03:00 Atualizado em: 09/08/2018 08:51

Primeiro foram os caetés, em seguida, portugueses, holandeses e novamente portugueses, que assumiram o domínio da cidade, que por sua riqueza arquitetônica e cultural privilegiada, vira a se tornar no futuro, a mais antiga cidade brasileira a ser declarada Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade pela Unesco.

Durante o século 16 e os primeiros anos do século 17, Olinda era considerada a cidade brasileira mais rica do período colonial, e assim se manteve, até a invasão dos holandeses que a incendiaram ao transferir a sede do governo da Nova Holanda de lá, para a cidade do Recife.

Dando um salto na história, Olinda passa do esplendor da época colonial, a viver no século 19 e princípio do século 20, um período de certo ostracismo e esquecimento, sendo lembrada apenas por alguns eventos sazonais e, principalmente, como cidade dormitório.

Já na segunda metade do século passado no entanto, Olinda inicia um movimento de retomada em busca do brilho que possuiu no passado, atraindo para suas ruas e casas, toda uma geração de artistas de grande qualidade, dentre os quais se destacam nomes como João Câmara, Delano, Alceu Valença, Gilvan Samico, José de Moura, Maria Carmem, Bajado, Gil Vicente e José Cláudio, para citar apenas alguns.

Simultaneamente ao desenvolvimento do seu lado artístico, mas sem se afastar da sua característica de celeiro de manifestações populares, Olinda se projeta em todo o Brasil, pela beleza, espontaneidade e alegria do seu Carnaval, sem dúvida o mais autêntico e participativo de todo o país, onde os blocos, troças, maracatus, inundam a cidade com música, fantasias, bonecos gigantes, orquestras de pau e corda e principalmente de povo, muito povo.

Felizmente, ao que tudo indica, Olinda finalmente volta aos poucos, a sair da condição de dormitório para pessoas que trabalham em outras cidades da região, e amplia sua condição de polo de atração turística, agora no entanto, oferecendo a sua própria população, condições de convivência e o lazer, inaugurando e reinaugurando equipamentos capazes de reunir em seus espaços, todos os requisitos necessários a atender as demandas dos habitantes da região.

São as iniciativas que reúnem a administração pública e iniciativa privada, para disponibilizar aos olindenses aquilo que há tanto desejavam e que, sem dúvida, sempre mereceram.

O Museu de Arte Sacra de Pernambuco, o Mercado Eufrásio Barbosa, e o moderníssimo Shopping Patteo Olinda, recentemente abertos, são exemplos suficientes para que os cidadãos olindenses e seus irmãos do Recife, Paulista, Abreu e Lima e outros municípios das proximidades, voltem a frequentar esse “monumento secular”, certos de ali, poderem encontrar o que há de melhor em arte, cultura, compras, gastronomia e diversos outros serviços.

Mas por favor, não vamos esquecer de “subir a ladeira do Mosteiro, rezar uma Ave Maria” e, no Alto da Sé, entregar-nos as delícias da simples e tradicional cozinha nordestina.

Afinal, nada pode ser mais prazeroso que comer uma tapioca e um queijo assado, acompanhados de um café, e desfrutar da beleza da vista do Recife, irmã mais jovem sempre de longe olhada e protegida, por sua querida e vigilante irmã mais velha, Olinda, linda e eterna.

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