Câncer de intestino: doença grave e crescente no Brasil

Publicado em: 07/08/2018 03:00 Atualizado em: 07/08/2018 08:35

O câncer colorretal ou câncer do intestino é uma doença comum e letal, sendo o 3º tipo de câncer mais comum no Brasil, acometendo indistintamente ambos os sexos, com pequenas variações nas taxas de incidência. A doença é multifatorial, com diversos fatores influenciando a sua incidência e prevalência, tais como: o álcool, o tabagismo, a obesidade, os fatores genéticos, a história familiar, a dieta, algumas drogas e doenças como diabetes mellitus e as doenças inflamatórias intestinais. Os países desenvolvidos apresentam uma maior ocorrência, provavelmente relacionada aos fatores genéticos e, principalmente, aos fatores ambientais, como o maior consumo de alimentos industrializados e a maior incidência de obesidade. A doença é menos comum nos países menos desenvolvidos, como aqueles que fazem parte do continente africano, sendo atribuída essa diferença ao tipo de dieta, rica em fibras, que levariam a uma proteção contra esse tipo de tumor. O Brasil encontra-se numa situação intermediária, embora a incidência do câncer colorretal esteja crescendo nas últimas décadas, fruto, provavelmente, das mudanças de hábitos e da maior incidência de obesidade.

O diagnóstico do câncer de intestino é feito pela colonoscopia, exame que utiliza uma câmera acoplada a um tubo flexível que percorre todo o intestino grosso sendo possível não só o diagnóstico como também a remoção de pequenos tumores que poderiam evoluir para o câncer, os chamados pólipos intestinais. Desta forma, a colonoscopia é recomendada pelas sociedades médicas científicas a todas as pessoas a partir dos 50 anos de idade, mesmo que não apresentem sintomas. A exceção são os pacientes com risco maior de desenvolver a doença, como os parentes de 1º grau de portadores de câncer do intestino e algumas doenças que aumentam esse risco (pólipos do intestino, doença inflamatória intestinal), cujo exame de colonoscopia deve começar mais cedo (em torno dos 40 anos de idade).

Uma vez diagnosticado o câncer de intestino, este deve ser operado o mais precocemente possível para aumentar as chances de cura. Embora, em algumas situações, a cirurgia isoladamente não seja suficiente, devendo-se lançar mão de outras formas de tratamento, como a quimioterapia e a radioterapia. Atualmente, os avanços no diagnóstico e tratamento do câncer de intestino são muitos, salientando-se as novas drogas quimioterápicas e os aparelhos mais modernos de radioterapia que ajudam no controle e aumentam as possibilidades de cura dos portadores desta afecção. No entanto, a cirurgia ainda é o tratamento que oferece as maiores chances de cura, e, neste campo, ressaltamos o advento das novas tecnologias, como a cirurgia videolaparoscópica e a robótica, temas esses que serão amplamente discutidos com grandes especialistas na área no congresso GastroRecife 2018, de 16 a 18 de agosto.

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